Economia

Governo Lula injeta R$ 140 bilhões na economia em ano eleitoral

O governo Lula colocou em vigor ou em fase de implementação dez pacotes de estímulo econômico que somam R$ 140 bilhões, segundo levantamento do banco BTG Pactual. A estratégia adotada foi concentrar medidas “parafiscais” — supostamente “sem impacto direto no Orçamento” — para turbinar a economia antes das eleições de outubro sem estourar formalmente as metas fiscais. O resultado colateral já aparece nas projeções: o BTG revisou a estimativa de inflação de 4,7% para 4,9%, acima do teto da meta de 4,5%.
“Os R$ 140 bilhões são o que calculamos a mais de estímulo, entre 2025 e 2026, sem que haja impacto primário sobre as contas públicas”, explicou o economista Fábio Serrano, do BTG. O banco também revisou para cima a projeção de crescimento do PIB, de 1,7% para 1,9%, mas o custo do estímulo está aparecendo na inflação de serviços, que segue pressionada.
O maior estímulo individual é a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, principal bandeira eleitoral de Lula, com R$ 31 bilhões injetados na economia — compensados pela tributação de quem ganha acima de R$ 50 mil. Apesar do volume, a medida ainda não se traduziu em melhora nas pesquisas de aprovação presidencial, frustrando a ala política do governo.
O consignado privado pode adicionar R$ 24 bilhões. O novo modelo de crédito imobiliário injetará R$ 22,3 bilhões. O programa Move Brasil, recém-expandido para incluir ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários além de caminhões, representa R$ 21,2 bilhões em crédito com juros abaixo do mercado e prazo de até dez anos.

O Desenrola, combinado com a permissão de uso do FGTS para abater dívidas, soma R$ 16,1 bilhões. O Reforma Casa Brasil adiciona R$ 12,9 bilhões e o Minha Casa, Minha Vida nas faixas 3 e 4 contribui com R$ 6,5 bilhões. Os programas Luz do Povo e Gás do Povo ampliam a renda disponível das famílias de baixa renda ao zerar contas de energia e recarga de gás. O único efeito negativo na lista é a restrição ao saque-aniversário do FGTS, que representa uma retração de R$ 12,5 bilhões em estímulos.
Segundo o Estadão, para o economista Luis Otávio Leal, da G5 Partners, o programa Desenrola é o que mais pode dificultar a vida do Banco Central. “Difícil dizer que um programa para reduzir o ônus da dívida sobre o trabalhador é ruim, mas, do ponto de vista da política monetária, é”, afirmou. A lógica é direta: se o endividamento das famílias cai, a relação entre crescimento da renda e crescimento do consumo se intensifica — e o consumo aquecido pressiona ainda mais a inflação de serviços.
O BTG projeta que a guerra no Oriente Médio responde pela maior parte da piora inflacionária, mas a concentração de estímulos no primeiro semestre de 2026 também contribui. “Os dados de inflação têm sido revisados para cima recorrentemente. Há também uma concentração de estímulos na economia neste primeiro semestre”, disse Serrano.

As contas públicas e o truque dos precatórios
O déficit primário projetado para 2026 é de R$ 50 bilhões — acima da meta de R$ 34 bilhões fixada pela LDO. O governo, porém, afirma que cumprirá a meta porque poderá excluir despesas autorizadas em lei, como gastos com precatórios. É o mesmo mecanismo contábil que distorce a leitura real das contas públicas e que o mercado financeiro monitora com crescente ceticismo.
Nas próximas semanas, o governo deve anunciar uma nova expansão do Desenrola, voltada para pessoas adimplentes endividadas e para trabalhadores informais — mais R$ bilhões na economia a menos de cinco meses das eleições. O Ministério da Fazenda celebra 72 matérias econômicas aprovadas pelo Congresso desde o início do governo. O BTG calcula a inflação em 4,9%. O Banco Central cortou juros na última reunião. E o eleitor ainda não traduziu os R$ 140 bilhões em aprovação presidencial nas pesquisas.

Fonte: Hora Brasília

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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