Plano Decenal de Energia prevê 80% dos investimentos para petróleo e gás

PDE estima investimentos de R$ 3,5 trilhões até 2035, R$ 300 bi a mais que plano anterior, mas quase tudo vai para combustíveis fósseis
O governo federal aprovou, no último dia 2, o Plano Decenal de Expansão da Energia — PDE 2035, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). De acordo com o plano, dos investimentos de R$ 3,5 trilhões previstos no PDE 2035, R$ 2,8 trilhões — 80% do total — serão destinados a petróleo e gás reforçando que esse setor continuará sendo protagonista no Brasil.
O valor representa mais de sete vezes o montante projetado para energias renováveis, que soma R$ 374 bilhões. Em comparação com o plano anterior (2034), a cifra total aumentou cerca de R$ 300 bilhões. E quase a totalidade desse crescimento se destina a óleo e gás, já que o PDE 2034 projetava R$ 2,5 trilhões para esse segmento.
A concentração dos investimentos em petróleo e gás reflete o desenvolvimento de reservas do pré-sal. Por isso, o PDE projeta 74% do valor total ao segmento de exploração e produção (E&P). Segundo o plano, o país chegará a 2035 produzindo 4,9 milhões de barris por dia — alta de 22% sobre a produção atual.
O PDE não cita especificamente investimentos diretos na Foz do Amazonas, mas afirma que a Margem Equatorial “é apontada por especialistas como promissora para a produção de hidrocarbonetos”. O documento reitera a expectativa de que a Foz tenha reservas similares às encontradas nos vizinhos Guiana e Suriname, que chegam a 11 bilhões de barris. O plano dá destaque também para o gás fóssil. O combustível terá maior crescimento tanto em oferta (71%) quanto em demanda (65%) nos próximos dez anos, segundo o documento.
O investimento em termelétricas — que inclui gás fóssil, mas também a fonte nuclear — é previsto em R$ 167 bilhões. A cifra prevista pelo PDE 2035 para energia renovável inclui R$ 38 bilhões para sistemas de armazenamento (baterias); R$ 79 bilhões para eólica; R$ 54 bilhões para hidrelétricas; R$ 36 bilhões para solar; e R$ 115 bilhões para biocombustíveis. No setor elétrico, o governo ainda projeta R$ 117 bilhões para a área de transmissão.
Na prática, isso significa um cenário de novas oportunidades para toda a cadeia de fornecedores, incluindo empresas de engenharia, fabricantes, prestadores de serviços, operações offshore, ROV, manutenção, inspeção, automação, logística e diversos outros segmentos. Mas existe um ponto que merece atenção. Quando grandes projetos são anunciados, as empresas que conquistam espaço normalmente não são aquelas que começam a se preparar naquele momento, mas sim aquelas que já se anteciparam e estão preparadas com cadastro ativo, documentação pronta e relacionamento ativo com o mercado.
Para as empresas que desejam fornecer para grandes operadoras e ampliar sua atuação no setor de óleo e gás, este é o momento de avaliar se estão realmente prontas para aproveitar o ciclo de investimentos que está se consolidando.




