Meio ambiente

Tigres superam marca histórica no Nepal, após décadas de conservação

Novo levantamento aponta 429 tigres selvagens no Nepal, resultado de anos de preservação, combate à caça e monitoramento contínuo

Por Mariana Lima

O Nepal alcançou um marco histórico na conservação da vida selvagem ao anunciar que sua população de tigres selvagens chegou a 429 indivíduos, mais de três vezes o número registrado em 2010, quando havia apenas 121 animais. O resultado consolida o país como uma das principais referências mundiais na recuperação da espécie, considerada ameaçada durante décadas pela perda de habitat e pela caça ilegal. Os dados foram divulgados na quarta-feira (29), data em que é celebrado o Dia Mundial dos Tigres, e representam um crescimento de aproximadamente 21% em relação ao último censo, realizado em 2022, quando foram contabilizados 355 tigres.
Desde 2010, segundo os dados apresentados, a população cresce em média 5% ao ano, resultado atribuído a um amplo programa de preservação ambiental, fortalecimento da fiscalização e combate à caça ilegal. O censo foi conduzido em aproximadamente 7.200 quilômetros quadrados das planícies do sul do Nepal, principal habitat dos tigres-de-bengala no país.
Segundo informações do Diário do Litoral, para localizar os animais, os pesquisadores instalaram 3.600 armadilhas fotográficas distribuídas por cinco áreas protegidas. As imagens obtidas foram analisadas por especialistas, que identificaram cada indivíduo a partir do padrão exclusivo de suas listras, considerado uma espécie de “impressão digital” natural utilizada em levantamentos populacionais da espécie. Esse método permitiu estimar com precisão o número de tigres presentes nas áreas monitoradas e comparar os resultados com censos anteriores.

De acordo com os especialistas, o crescimento da população não ocorreu por acaso. O resultado é consequência de mais de uma década de investimentos em fiscalização, recuperação dos habitats naturais, combate à caça ilegal e monitoramento constante da espécie. Outro fator apontado como decisivo foi a participação das comunidades que vivem próximas às florestas.
Em parceria com o WWF-Nepal, moradores passaram a receber apoio para construir currais mais resistentes aos ataques de predadores, instalar sistemas de alerta para proteger rebanhos e desenvolver atividades ligadas ao ecoturismo. Segundo os pesquisadores, essas iniciativas criaram novas fontes de renda para a população local e ajudaram a reduzir os conflitos entre seres humanos e tigres.
Ao comentar o resultado, o diretor nacional do WWF-Nepal, Ghana Gurung, afirmou que o marco demonstra tanto os desafios quanto as oportunidades para garantir a convivência entre pessoas e vida selvagem. Segundo ele, ao investir em programas eficazes de coexistência, o Nepal pode continuar servindo como exemplo para outros países onde ainda existem populações de tigres.

Filhotes de dois tigres-siberianos com sua mãe (Foto: Getty Images)

Meta internacional foi ultrapassada
O crescimento também representa o cumprimento, e até a superação, de um compromisso firmado em 2010, durante a Cúpula Global do Tigre, realizada em São Petersburgo. Na ocasião, o Nepal e outros 12 países que ainda abrigavam tigres selvagens assumiram o compromisso de dobrar suas populações até 2022, após décadas de declínio causado pelo desmatamento, pela fragmentação dos habitats e pela caça ilegal. Segundo os dados divulgados, o Nepal não apenas atingiu essa meta, como continuou investindo na conservação da espécie, registrando um novo crescimento expressivo no levantamento mais recente.

Recuperação também avança em outros países asiáticos
O Nepal não é o único país da Ásia a registrar avanços na recuperação dos tigres. Segundo dados da Wildlife Conservation Society (WCS), a população da espécie na Tailândia aumentou cerca de 250% na última década graças ao fortalecimento das áreas protegidas e ao combate à caça.
A Índia, que abriga aproximadamente 70% da população mundial de tigres selvagens, também continua registrando crescimento no número de animais e iniciou, em 2026, a maior operação de monitoramento da espécie já realizada. Na China, outro registro recente chamou a atenção dos pesquisadores. No início deste ano, câmeras instaladas no Parque Nacional dos Tigres e dos Leopardos flagraram uma tigresa-de-amur acompanhada de cinco filhotes.
Como normalmente as tigresas dão à luz entre um e quatro filhotes, o registro de cinco filhotes saudáveis, com idade estimada entre seis e oito meses, foi considerado um acontecimento extraordinário pelos especialistas e reforça os sinais de recuperação gradual da espécie no país.

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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