Ex-ditador sírio Bashar al Assad é condenado à morte à revelia

O ex-ditador sírio Bashar al Assad, que está exilado na Rússia, recebeu a primeira sentença desde a queda do seu regime, no final de 2024
Por Fábio Galão
Um tribunal da Síria condenou à revelia, nesta terça-feira (11), o ex-ditador sírio Bashar al Assad à pena de morte por vários crimes, incluindo crimes contra a humanidade, na primeira sentença pública contra o líder político que governou o país asiático com mão de ferro por mais de duas décadas.
Assad, sua família e ex-integrantes da cúpula do seu regime se exilaram na Rússia em dezembro de 2024, depois do ditador ter sido derrubado em uma ofensiva relâmpago de rebeldes sírios contra quem travava uma guerra desde 2011. A mudança de regime pôs fim a mais de 50 anos de ditadura da família Assad na Síria. Segundo informações da agência EFE, o juiz Fakhr al Din al Uryan, do tribunal criminal número 4 de Damasco, leu a sentença na qual também foram condenadas à morte mais oito pessoas, incluindo o irmão de Assad, Maher al Assad, e seu primo Atef Najib, o único presente na sessão.
De acordo com a agência Associated Press, Najib estava vestindo uniforme de prisioneiro e permaneceu dentro de uma cela durante a leitura da sentença, realizada sob um forte esquema de segurança, enquanto uma multidão se reunia do lado de fora do tribunal, no centro de Damasco, para ouvir o veredito.
“A contribuição do criminoso Bashar al Assad para os crimes foi a de máximo responsável pela tomada de decisões, que mobilizou as instituições estatais para cometê-los”, disse o juiz, que acrescentou que o tribunal declarou o ex-ditador culpado do “crime grave de assassinato premeditado e intencional de mais de uma pessoa e de crianças, assim como do crime grave de tortura e detenção arbitrária, e de cometer crimes contra a humanidade”.
Atef Najib, que foi o chefe de Segurança Política em Daraa, no sul da Síria e onde começaram as revoltas populares em 2011 que resultaram na guerra civil de 14 anos no país, também foi condenado por crimes contra a humanidade. “As investigações e os depoimentos das testemunhas demonstraram a participação do acusado Atef Najib no interrogatório de vários detidos após o início dos protestos em Daraa”, declarou Al Uryan, acrescentando que o gabinete de segurança política que Najib dirigia, “junto de outros ramos de segurança, invadiu a mesquita Omari em Daraa”, principal ponto de encontro e o coração simbólico dos primeiros protestos e onde as forças de segurança mataram dezenas de manifestantes.
Fonte: Gazeta do Povo





