Cultura

O Sargento Balista e o “Mata Sete”

Lendas castrenses: o Sargento, o Soldado “Opala seis cilindros” e o Pistoleiro. Uma daquelas lendas da caserna que mostram como a malícia da velha guarda resolvia qualquer parada. Acompanhe esse causo fantástico!🤠👮‍♂️🐎

Conta a lenda castrense capixaba que o abnegado Sargento Balista se insubordinara contra o temido Coronel Ribeiro que, por pura vingança, o destacou lá para as bandas de Alonso Carmo, junto com o Soldado Pacheco, que também não era flor que se cheirasse e que estava em mau comportamento. Pacheco era um excelente policial, mas bebia mais do que Opala seis cilindros, fato que de vez em quando o colocava em situações difíceis. E foi assim que os referidos praças de Ortiz foram transferidos, a bem da disciplina, para o raio que o parta, município do fim do mundo.
A cidade era famosa pela produção de café, pelas mulheres belíssimas e pelos homens com fama de bravos. Desocupados e pistoleiros de aluguel se acotovelavam pelos bares da região. Era o tempo do “guaraná com rolha”, e o policiamento era feito ainda a cavalo. Parecia cena de faroeste italiano. Muito a contragosto, os militares assumiram o destacamento bem desconfiados, pois o comentário no Quartel era de que eles tinham sido transferidos para morrer, no melhor estilo do clássico filme do cinema: “Dança com lobos”.

E eu explico: é que o Sargento Balista era um mulato alto, de cabelo preto, forte e bonitão, tipo índio de filme de Hollywood e na cabeça do maldoso Coronel, ele iria se envolver com as mulheres da cidade, algumas casadas, e, de certo, acabaria morto por tal fraqueza. Balista, que não era bobo — pois já tinha sido até Delegado nomeado em outras pairagens — apesar do medo, decidiu agir. Chamou Pacheco e deu a ordem:
— Praça velho, dê uma volta na cidade e me traga o nome do pistoleiro mais temido da região e onde posso encontrá-lo.
Passadas cerca de duas horas, volta Pacheco e diz:
— Comandante, missão cumprida. O nome dele é Tibúrcio “Mata sete” e ele fica o dia todo no armazém do seu Aquino.
Ato contínuo, Balista decidido ordenou:
— Pacheco, encilhe os cavalos, pega corda e cassetete e vem comigo.
O soldado, sem entender direito o que acontecia, seguiu o decidido chefe. Ao chegarem no armazém, Balista pegou “Mata sete” de surpresa, aplicou-lhe uma severa surra de cassetete e mandou que Pacheco o amarrasse no cavalo para que dessem várias voltas na cidade com o bandido moribundo.
No outro dia, o comentário correu o vilarejo. Segundo os fofoqueiros de plantão, havia chegado na cidade um sargento tão bravo que a primeira coisa que fez foi dar uma surra no temido “Mata sete”.
Resultado: Mais de seis meses de paz absoluta na região! ⚖️

💡 Moral da História:
A verdadeira autoridade não se impõe pelo uso da força bruta, mas pela inteligência estratégica e pela coragem de desarmar o medo antes que ele domine o ambiente. Em um cenário onde tudo conspirava para o fracasso, o Sargento Balista demonstrou que a astúcia e a ação psicológica rápida valem mais do que um grande efetivo.
Ao neutralizar o maior símbolo de desordem do vilarejo logo na chegada, ele quebrou a banca dos criminosos e provou que um verdadeiro líder pacifica o território usando a cabeça antes de puxar o gatilho.

Mário Vieira

Capixaba, casado, autor e advogado

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