Política

A Semana no Brasil e no Mundo — PGR pede retirada de inquéritos de Lulinha do STF e envio das investigações à primeira instância

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sejam retiradas da Corte e enviadas à primeira instância da Justiça. O filho de Luiz Inácio Lula da Silva é alvo de apurações por suspeitas de tráfico de influência e corrupção a partir de elementos encontrados pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto.
A manifestação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, relator das investigações. Para a PGR, não existe justificativa para manter os inquéritos no Supremo porque, até o momento, não há entre os investigados nenhuma autoridade com prerrogativa de foro na Corte. Caberá a Mendonça decidir se acolhe o pedido e determina a remessa. Lulinha entrou no radar da PF durante o aprofundamento das investigações sobre o esquema bilionário de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Quebras de sigilo e materiais apreendidos revelaram contatos e negociações envolvendo o empresário, a lobista Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como um dos principais personagens do esquema investigado.
As apurações chegaram ao Supremo porque Mendonça identificou conexão entre os novos indícios e investigações que já estavam sob sua relatoria. A PGR agora sustenta que essa vinculação não é suficiente para manter Lulinha sob investigação direta no STF diante da ausência de investigados com foro privilegiado. Uma das frentes mais sensíveis envolve o Ministério da Saúde. Em 30 de julho, Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações para a comercialização de cannabis medicinal. Os investigadores apuram se Lulinha utilizou sua proximidade com o governo do pai para favorecer interesses privados ligados ao negócio.

A articulação envolvia Roberta e o Careca do INSS. Mensagens obtidas pela PF mostram que a lobista tentava abrir caminho dentro do governo para a venda de produtos à base de cannabis e discutia diretamente com Lulinha as negociações. Em relatório, os investigadores chegaram a afirmar que Roberta “aparentemente tinha autorização” para agir em nome do filho do petista. Em uma das mensagens, ela declarou a um interlocutor: “eu sou o Fábio”.
O projeto também chegou ao gabinete presidencial. Roberta enviou a Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, uma minuta relacionada à venda de medicamentos ao Ministério da Saúde. Marcola confirmou ter recebido o documento, mas afirma que não o encaminhou e nega qualquer favorecimento. Outra investigação envolve a Dataprev. A PF apura se um empresário do setor de tecnologia atuou em conjunto com Lulinha, Careca do INSS e Roberta na tentativa de obter contratos com o governo federal. Esse inquérito também já recebeu autorização do Supremo.
Uma terceira frente envolve a empresa 3Structure It. Nela, a suspeita é de que Lulinha tenha utilizado o nome e a posição política do pai para favorecer empresas parceiras. O pedido de investigação foi submetido ao STF. Segundo a linha seguida pela PF, é necessário esclarecer se a proximidade de Lulinha com integrantes do governo foi transformada em influência para beneficiar seus próprios interesses ou os de empresários com os quais mantinha relações. A existência das relações e das mensagens, isoladamente, não comprova os crimes investigados.

O pedido da PGR também ocorre no momento em que as investigações sobre o filho do presidente avançam e novas informações são extraídas das quebras de sigilo. Mendonça determinou em dezembro o acesso a dados bancários, fiscais e telemáticos de Lulinha, material que demorou mais de sete meses para chegar ao gabinete do ministro. A defesa de Lulinha nega irregularidades e sustenta que o empresário é alvo de perseguição por ser filho do presidente da República.
Se Mendonça acolher a manifestação da PGR, as investigações não serão encerradas. A principal mudança será de competência: Lulinha deixará de ser investigado diretamente sob supervisão do Supremo, e os inquéritos passarão a tramitar perante um juiz de primeira instância. A decisão agora está nas mãos do relator. (Fonte: Hora Brasília)


Fundador de gigante imobiliária da China é condenado à prisão perpétua

Xu Jiayin e outros ex-executivos do Evergrande Group foram condenados nesta quinta-feira (20) por tribunal da China (Foto: Getty Images)

Por Fábio Galão
O fundador da ex-gigante imobiliária chinesa Evergrande, Xu Jiayin, foi condenado, nesta quinta-feira (20), em primeira instância à prisão perpétua e a entregar todos os seus bens ao ser declarado culpado de diversos crimes, como falsificação de informações financeiras, emissão fraudulenta de ações, subornos e desfalque. Segundo informações da agência EFE, o mesmo tribunal de Shenzhen que condenou Xu, conhecido internacionalmente como Hui Ka Yan, também decretou multas de 8,82 bilhões de yuans (cerca de R$ 6,8 bilhões) contra o Evergrande Group e de 7 bilhões de yuans (cerca de R$ 5,4 bilhões) contra sua principal filial, a Evergrande Real Estate. Além disso, o tribunal anunciou condenações que variam de seis a 18 anos de prisão para outros cinco ex-ocupantes de cargos de alto escalão, entre eles Zhen Litao, ex-presidente da Evergrande Real Estate, e Ke Peng, ex-presidente-executivo do Evergrande Group.
Gigante do desenvolvimento imobiliário, o Evergrande Group chegou a ser a segunda maior incorporadora imobiliária da China em volume de vendas e a empresa do setor imobiliário mais valiosa do mundo. O seu colapso, a partir de 2021, desencadeou a crise que ainda continua assolando o setor imobiliário chinês. A empresa pediu falência nos Estados Unidos em 2023 e em janeiro de 2024 teve sua liquidação ordenada pelo Tribunal Superior de Hong Kong. Em agosto de 2025, a Evergrande foi excluída da Bolsa de Valores de Hong Kong.

A derrocada da empresa levou até mesmo ao fechamento do Guangzhou Evergrande, grande time do futebol chinês. O octacampeão da Superliga Chinesa e bicampeão da Liga dos Campeões da Ásia foi impedido pela Associação Chinesa de Futebol de participar de competições profissionais devido às suas imensas dívidas no ano passado. Como resultado, o clube foi extinto. De acordo com a emissora de televisão estatal CCTV, o total de sentenças ditadas hoje no âmbito do caso é de 56, com pena mínima de um ano e dez meses.
Xu, que chegou a ser o homem mais rico da China e que estava em prisão domiciliar desde o final de 2023, tinha se declarado culpado em abril dos numerosos crimes dos quais era acusado, expressando também seu “arrependimento”. “Entre 2016 e 2021, Evergrande Group, Evergrande Real Estate e Xu Jiayin violaram as leis nacionais e, mediante práticas de falsificação financeira continuada e em grande escala, inflaram artificialmente os ativos e ocultaram passivos, cometendo crimes de captação ilegal de depósitos públicos, captação fraudulenta de fundos, emissão fraudulenta de valores mobiliários e divulgação irregular de informações [financeiras]”, indicou o tribunal em comunicado. (Fonte: Gazeta do Povo)


Lula se reúne fora da agenda com advogado de Lulinha em meio a três inquéritos no STF

(Foto: Getty Images)

Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, nesta quarta-feira (19), com Marco Aurélio de Carvalho, advogado de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O encontro ocorreu no Palácio da Alvorada e não constava da agenda oficial do petista. O motivo da conversa não foi divulgado. A reunião ocorre em um momento de pressão sobre Lulinha, alvo de três inquéritos já autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em diferentes frentes envolvendo negócios privados e possíveis articulações dentro do governo federal.
Marco Aurélio de Carvalho, um dos fundadores do grupo Prerrogativas, atua na defesa do filho de Lula. Ao mesmo tempo, ocupa uma função política diretamente ligada a Lula: é coordenador da campanha presidencial petista em São Paulo. A reunião no Alvorada, portanto, reúne três elementos que ampliam sua relevância política: o presidente, o advogado de seu filho investigado e um integrante de sua própria estrutura eleitoral. Não há informação de que as investigações tenham sido discutidas no encontro. Também não foi informado oficialmente se a reunião tratou de assuntos jurídicos, eleitorais ou de outra natureza.
A movimentação ocorreu no mesmo dia em que Lula deixou de comparecer à cerimônia de posse da nova cúpula do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Até terça-feira (18), estava prevista a presença do petista na solenidade em que Luís Felipe Salomão assumiria o comando da Corte e Mauro Luiz Campbell Marques, a vice-presidência. Lula acabou sendo substituído pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

As investigações sobre Lulinha ganharam força a partir de elementos encontrados nas apurações sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como personagem central da investigação, aparece conectado a pessoas que mantinham relações comerciais e pessoais com o filho de Lula. Entre elas está a lobista Roberta Luchsinger. Mensagens obtidas pela PF revelaram tratativas sobre negócios com o governo federal e levaram os investigadores a registrar em relatório que ela “aparentemente tinha autorização” para agir em nome de Lulinha. Em uma das conversas, Roberta chegou a afirmar a um interlocutor: “eu sou o Fábio”.
As apurações também alcançaram negociações envolvendo a venda de medicamentos à base de cannabis ao Ministério da Saúde e outras áreas da administração federal. A PF tenta determinar se as relações identificadas nas mensagens resultaram em tráfico de influência, corrupção ou favorecimento dentro do governo. Lulinha nega irregularidades. (Fonte: Hora Brasília)


Brasil amplia parceria com Irã e entra na mira da guerra econômica de Trump contra o regime

Luiz Inácio Lula da Silva em encontro em Teerã com o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei (morto na guerra deste ano), em maio de 2010 (Foto: Wikipédia)

Por Fábio Galão
Nesta quarta-feira (19), o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma medida que pode resultar em mais tarifas dos Estados Unidos sobre importações do Brasil. O republicano informou na rede Truth Social que implementará um “Dia D Econômico” contra o Irã, para forçar o país persa a assinar um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro. “Qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam qualquer tipo de tábua de salvação ao Irã enfrentará, ele próprio, consequências econômicas tremendas”, afirmou Trump, sem especificar quais consequências seriam essas – embora tarifas sejam o cenário mais provável.

Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa acabar agora. Vocês sabem quem são. Este será um Dia D Econômico, e precisamos que todos os nossos aliados se unam aos Estados Unidos da América para isolar e derrotar a ameaça representada pelo Irã”, acrescentou o presidente americano.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil, que integra os Brics ao lado do Irã, aumentou seu comércio com o país persa no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho de 2025, o Brasil realizou exportações para o Irã que somaram US$ 1,16 bilhão e importou produtos no total de US$ 30,5 milhões – totalizando um comércio de US$ 1,190 bilhão. No primeiro semestre deste ano, em meio à guerra do Irã contra Estados Unidos e Israel, as exportações do Brasil para o país persa subiram para US$ 1,34 bilhão, enquanto as importações tiveram uma leve queda e foram para US$ 29,5 milhões. Essas transações (totalizando US$ 1,37 bilhão) representaram uma alta de 15% em relação aos seis primeiros meses de 2025.
De acordo com o Observatório de Complexidade Econômica (OEC, na sigla em inglês), em junho, os principais produtos exportados pelo Brasil para o Irã foram soja, farelo de soja e milho, enquanto as principais importações brasileiras do país asiático foram de nozes, peças para espaçonaves, drones e equipamentos relacionados e medicamentos. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou em post no X que o “Dia D Econômico” de Trump é “uma cortina de fumaça diante da própria crise dos Estados Unidos” e uma forma de “terrorismo econômico” que “ameaça a economia mundial”.

A nova medida de Trump é anunciada logo após o Brasil ter sofrido novas tarifas dos Estados Unidos, depois da derrubada do tarifaço de 50% do ano passado. Em julho, foi imposta uma tarifa de 25% sobre grande parte das importações do Brasil, sob a alegação de práticas comerciais injustas. No mesmo mês, foi aplicada uma sobretaxa de 12,5% ao Brasil sob o argumento de falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, justificativa que também motivou tarifas americanas a outras 59 economias.
O Brasil pode ser sobretaxado novamente pelos Estados Unidos por meio de um pacote de sanções contra a Rússia que está tramitando no Congresso americano e que prevê tarifas sobre importações de países que compram petróleo, urânio e gás natural russos, medida que visa pressionar o Kremlin a negociar um cessar-fogo com a Ucrânia. (Fonte: Gazeta do Povo)


Cinco ações do “sistema” para blindar Lula e o PT de apurações de corrupção

Lula diz acreditar na inocência de Lulinha, investigado pela PF, mas afirma que não usará o cargo para protegê-lo (Foto: Getty Images)

Por Cristiano Carlos
A engrenagem institucional brasileira passa por um processo de articulação para proteger o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Partido dos Trabalhadores de sobressaltos judiciais e desgaste político por causa de escândalos de corrupção. A avaliação é de especialistas ouvidos pela reportagem. Eles veem o aparato de Estado operando para erguer uma blindagem contra os escândalos e apurações inconvenientes ao projeto de poder petista.
O que se desenhava como atos isolados de defesa política de Lula consolidou-se em um esforço que abrange desde a Advocacia-Geral da União (AGU) aos bastidores do Congresso Nacional. A teia de proteção estende-se pela gestão da Procuradoria-Geral da República (PGR), Supremo Tribunal Federal (STF) e pelas sofisticadas estratégias de comunicação de crise. Para o cientista político e professor de pós-graduação da Damásio Educacional, Elias Tavares, a convergência de interesses entre os Poderes do país é o fator responsável pela blindagem do governo Lula.

Isso não significa necessariamente que exista uma grande mesa em que todas essas instituições estejam combinando uma estratégia. Mas existe algo muito importante: convergência de interesses, relações políticas e uma enorme capacidade de articulação de quem hoje ocupa a Presidência”, apontou.

1. Mendonça é pressionado no STF enquanto investiga aliados de Lula
O ministro André Mendonça vem sofrendo pressões no STF enquanto conduz investigações envolvendo o Banco Master e o escândalo de desvios de recursos do INSS. No caso Master, o ministro enfrenta pressão dos pares, especialmente do ministro Gilmar Mendes. Há dois meses, Mendes colocou a investigação sob suspeita valendo-se de argumentos semelhantes ao que usou para acabar com a operação Lava Jato. Ele disse que era preciso evitar suspeitas e nulidades nas apurações.
Mendonça disse em sessão do STF que “certos atores atuam para criar um vício” nas investigações do Master. “Há um sistema articulado para isso. Não sou cego, estou acompanhando, assistindo aos movimentos”, afirmou. No caso da investigação sobre o INSS, quando as apurações começaram a se aproximar do filho de Lula, Fábio Luiz, o Lulinha, o inquérito foi fatiado pela Polícia Federal em três partes. O órgão pediu diretamente à Presidência do STF, sem passar por Mendonça, que novos relatores fossem sorteados. O movimento foi interpretado por analistas como uma tentativa de tirar a apuração das mãos de Mendonça.
Mas a suposta manobra de blindagem naufragou parcialmente quando o sistema sorteou o próprio ministro André Mendonça para relatar dois dos processos, nos quais Lulinha é investigado. Um terceiro processo caiu com o ministro Flávio Dino. Lulinha é investigado pelo crime de tráfico de influência. Sua defesa vem negando o crime e afirmando que conversas de seu cliente encontradas no telefone celular de outra suspeita foram tiradas de contexto. Lula tem dito que o filho deve se defender e que, caso seja inocente, precisa provar sua condição. Se for culpado, precisa responder pelos seus atos.

2. Troca de delegados e acionamento da AGU nas investigações contra Lulinha
Delegados e policiais da PF que trabalhavam nas investigações do INSS que levaram ao nome de Lulinha foram trocados ao menos três vezes ao longo das apurações, por decisão da própria instituição. O ministro Mendonça então passou a exigir que qualquer mudança na equipe responsável pelo caso seja previamente submetida à sua autorização. Devido a atritos com a PF, ele também determinou que todo o material apreendido, incluindo documentos brutos e informações obtidas ao longo das diligências no caso INSS que possam envolver Lulinha, fosse enviado ao seu gabinete.
A medida se soma a uma decisão do ministro do começo do ano de que os detalhes das operações não fossem repassados à cúpula da PF, que é liderada por um indicado político, Andrei Rodrigues. A reação da PF foi acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para atuar na contenção das determinações impostas por André Mendonça. O órgão jurídico interveio para contestar no Supremo a exigência de comunicação prévia sobre a troca de delegados da PF encarregados de inquéritos delicados ao governo.
O uso da estrutura da AGU nesse contexto evidencia o desvio do seu papel constitucional de defesa do Estado para a tutela de interesses político-partidários do presidente Lula, de acordo com analistas independentes. Ao criar teses para neutralizar despachos do relator, a advocacia pública foi instrumentalizada para impor barreiras operacionais ao avanço das apurações sobre o filho do presidente.

3. PGR defende aliados de Lula contra investigações
Sob a liderança de Paulo Gonet, a Procuradoria-Geral da República assumiu uma postura acentuadamente contida diante de operações de grande impacto político. A atuação da chefia do Ministério Público Federal tem funcionado como um filtro burocrático para desacelerar o ritmo de inquéritos e esvaziar o ímpeto punitivo sobre os aliados do Planalto. No caso do Banco Master, por exemplo, a PF solicitou autorização para realizar buscas no gabinete do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Gonet negou o pedido.
O ministro André Mendonça contrariou o parecer da PGR e autorizou a entrada dos investigadores no gabinete de Wagner, onde a PF apreendeu joias e dinheiro em espécie. Em outro episódio da Operação Sem Desconto, a PGR tentou impedir que os investigadores avançassem sobre o senador Weverton Rocha (PDT-MA), articulador político de Lula. Mendonça ignorou o veto da PGR e autorizou o cumprimento das buscas na casa do parlamentar, onde os agentes apreenderam um celular contendo fotos de políticos governistas com um operador do esquema.

O Brasil tem instituições constitucionalmente constituídas para realizar investigações e responsabilizar corruptos, dentre essas, a de maior envergadura é a PGR, que possui competências extensas e de grande importância. Ao analisar as notícias que são publicadas nos principais jornais do país, fica a impressão de que a PGR poderia atuar de forma mais célere e enérgica na responsabilização de atos de corrupção”, afirmou o especialista em segurança e presidente da Associação dos Oficiais da PM do Paraná, Alex Erno Breunig.

Nesta quinta-feira (20), após a publicação desta reportagem, a PGR pediu ao ministro Mendonça que remeta um dos inquéritos envolvendo Lulinha à primeira instância. Segundo analistas, o pedido pode estar conectado a um esforço para tirar a investigação das mãos do ministro do STF.

4. Lula tem apoio de Motta e Alcolumbre contra instalação da CPI do Master
No Poder Legislativo, suspeitas de blindagem contra investigações de corrupção baseiam-se na contenção sistemática do poder fiscalizador do Congresso. Na Câmara dos Deputados, a gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB) recusa-se a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master, apesar de a oposição ter reunido as assinaturas necessárias para a abertura.
Na Mesa Diretora, além desse há outros 15 requerimentos de CPIs travados. Essas comissões não investigariam apenas aliados de Lula, mas todos os possíveis suspeitos, inclusive ligados à oposição. Mas a recente declaração de apoio de Motta à candidatura de Lula levantou suspeitas entre seus críticos de que a contenção da CPI do Master poderia favorecer o presidente em um contexto mais amplo. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) reaproximou-se do Planalto após meses de atrito por indicações ao STF e pautas econômicas.
Logo após reuniões de alinhamento com Lula, o Senado aprovou o PLP 114/2026, de desoneração dos combustíveis, e Alcolumbre anunciou o destravamento de pautas prioritárias para o governo, pacificando o ambiente parlamentar em favor do Planalto. Porém, pedidos de CPIs para investigar a corrupção também não tiveram andamento.

5. Comunicação do governo foca em temas diversos da corrupção
As máquinas de comunicação governamental e do PT utilizam a tática da narrativa de criar um inimigo externo nos Estados Unidos e de divulgar políticas populistas, como o fim da escala de trabalho 6×1, para desviar a atenção das denúncias de corrupção contra Lulinha e aliados do PT. Sempre que relatórios policiais ganham repercussão, o aparato petista tenta impor na mídia e nas redes sociais pautas de forte apelo ideológico e conflitos institucionais para se sobrepor à repercussão dos escândalos.
A estratégia mais comum, segundo analistas, tem sido proliferar medo contra inimigos externos imaginários entre a população. O método apoia-se em investir em embates diplomáticos inflados com lideranças internacionais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da Argentina, Javier Milei. O cientista político Antônio Testa destaca o investimento do PT para direcionar a comunicação e dominar a narrativa pública diante de denúncias. “A gestão da comunicação política do PT é bem profissional e cara. O discurso falacioso de Lula e dos aliados revela uma articulação bem engendrada para manter o controle da narrativa. Lula gasta milhões para disseminar mentiras, como se fossem valores cívicos”, disse. (Fonte: Gazeta do Povo)


Governo de esquerda do México estuda libertar presos preventivos e condenados por roubo

A presidente do México, Claudia Sheinbaum (Foto: Getty Images)

Por John Lucas
O governo do México, liderado pela presidente esquerdista Claudia Sheinbaum, está estudando mudanças jurídicas para facilitar a libertação de pessoas presas por roubo e outros delitos considerados “menores”, além de detentos que estão presos ainda sem receber sentença. O anúncio foi feito pela própria Sheinbaum durante uma coletiva de imprensa realizada no último dia 11. Na ocasião, ela falava sobre a superlotação do sistema penitenciário mexicano e apresentou a medida como uma forma de reduzir a pressão sobre os presídios.
Sheinbaum disse que seu governo trabalha neste momento em duas frentes para enfrentar o problema da superlotação. Uma delas envolve a análise da situação de pessoas detidas por roubo ou infrações “de menor gravidade” e de presos que continuam privados de liberdade apesar de ainda não terem sido julgados definitivamente.

Estamos trabalhando em duas áreas: uma por meio de Luisa María Alcalde, a consultora jurídica (do governo mexicano), para poder gerar as liberações de pessoas que estão presas por roubo, por delitos menores e que continuam presas, ou pessoas que não têm sentença e que ainda estão detidas”, afirmou a presidente.

De acordo com Sheinbaum, o trabalho envolve neste momento a Secretaria de Governo e os responsáveis pela análise jurídica das medidas. A presidente não anunciou, porém, a libertação imediata de presos nem apresentou um programa já aprovado. “Estamos vendo se são necessárias algumas modificações jurídicas que nos permitam que o processo das pessoas que estão presas por delitos menores ou que já estão há muitos anos sem sentença possa ser acelerado”, disse a líder esquerdista.
Segundo dados do Censo Nacional do Sistema Penitenciário Federal e Estadual de 2026, citados pelo portal mexicano Animal Político, 97.090 adultos estão atualmente presos preventivamente no México, aguardando sentença. Desse total, 50,1% estavam submetidos à chamada prisão preventiva oficiosa, modalidade prevista pela legislação mexicana que permite a detenção automática em determinados tipos de crime enquanto o processo ainda está em andamento. Outros 34,3% estavam em prisão preventiva justificada, determinada por decisão judicial após análise do caso, conforme os dados oficiais citados pelo veículo.
Sheinbaum afirmou que a medida é “humanista”, voltada à reinserção social e à melhoria das condições oferecidas aos detentos. Apesar da política de desencarceramento, o governo também planeja construir seis novos centros de detenção em coordenação com os estados para diminuir a superlotação do sistema penitenciário. A presidente disse que a medida não será aplicada aos condenados por crimes graves. (Fonte: Gazeta do Povo)


Haroldo Filho

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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