Novo Código Civil da esquerda pode ser aprovado no pacote de maldades de Alcolumbre

Novo Código Civil pode ser votado em ritmo acelerado no Senado mesmo que sua versão final não seja amplamente conhecida
O novo Código Civil pode se transformar em uma bomba jurídica de efeitos graves e duradouros sobre a vida dos brasileiros. A proposta, marcada por problemas estruturais e com viés de esquerda, avança rápido em meio a articulações para uma aprovação atropelada no Senado nas próximas semanas, mesmo que sua versão final ainda não seja conhecida pela comunidade jurídica.
O projeto, em sua última versão conhecida, altera mais de 900 artigos do Código Civil de 2002 e cria outros 300, com dispositivos que colocam em risco o desenvolvimento econômico do país, favorecem o MST e avançam em temas de costumes, como o divórcio “express” e herança para amantes. O texto propõe um modelo restritivo do uso de redes sociais, facilitando o que alguns juristas classificam como “censura padrão Alexandre de Moraes”. Expressões vagas e genéricas da proposta dão superpoderes a juízes, com potencial de instaurar insegurança jurídica e criar um ambiente perigoso para negócios e empresas.
A iniciativa da reforma partiu do ex-senador Rodrigo Pacheco (MG). Ainda na presidência do Senado, ele instituiu uma comissão de juristas encarregada de elaborar um anteprojeto para a atualização do Código Civil. A proposta deu origem ao Projeto de Lei n.º 4/2025. Atualmente, o texto está em análise por uma Comissão Temporária Especial. O colegiado chegou a ser presidido pelo próprio Pacheco, mas ele deixou o Senado para assumir uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O senador Efraim Filho (PL-PB), que era o vice-presidente, assumiu o comando da comissão.
Nos bastidores, interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que há interesse em concluir a tramitação ainda este ano. A velocidade da possível aprovação contrasta com a dimensão das mudanças previstas, que afetam diretamente direitos e relações cotidianas dos brasileiros. A proximidade política entre Pacheco e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fortalece a percepção de que a proposta conta com apoio da direção da Casa.
O histórico recente do Senado sugere que a vontade política de Alcolumbre costuma ter peso decisivo na definição das prioridades da Casa. A rejeição histórica da indicação de Jorge Messias para ministro do STF, a tramitação acelerada da indicação de Rodrigo Pacheco ao TCU e, mais recentemente, a aprovação da PEC 6×1 a dez dias do segundo turno demonstram a capacidade de Alcolumbre de mobilizar o plenário em torno de seus interesses.
A possibilidade de que o novo Código Civil receba tratamento semelhante é vista com preocupação por juristas e parlamentares que criticam o texto. Segundo relatos, integrantes da cúpula do Senado já trabalham com um acordo para acelerar a tramitação da proposta. Outro fator que explicaria a pressa em aprovar a reforma ainda neste ano é a perspectiva de que o fortalecimento da bancada conservadora eleita para a próxima legislatura, que começa em 2027, dificulte sua aprovação. Para Judith Martins-Costa, professora de Direito Civil na USP e coordenadora do livro Riscos e Impactos Econômicos do Projeto do Novo Código Civil (PL 4/25), a pressa é especialmente preocupante diante dos problemas que identifica no texto.
O projeto tem deficiências transversais graves, que se projetam no inteiro sistema. As deficiências são na técnica legislativa; no conteúdo; na cultura jurídica subjacente; nas muitas contradições internas; na linguagem indeterminada, gerando ambiguidade e incoerência, além de conferir um poder desmedido ao julgador”, aponta a jurista.
“Código surpresa” avança sem debate suficiente com a sociedade
Além dos problemas envolvendo temas específicos do novo Código Civil, a preocupação é sobretudo com a forma como a proposta vem sendo conduzida no Senado. Com quase 900 emendas apresentadas durante a tramitação, especialistas afirmam que nem mesmo a comunidade jurídica conhece integralmente a versão que poderá ser submetida ao plenário do Senado. Segundo Martins-Costa, a proposta representa uma alteração profunda nas bases do Direito Privado brasileiro. O volume de mudanças e emendas é tão grande que até mesmo especialistas têm dificuldade para acompanhar qual versão do texto está efetivamente em discussão.
Com essas emendas, o Senado apresentou um outro Código, e esse não é ainda conhecido pelos professores de Direito Civil e pela sociedade. Teríamos, se for assim, além de um ‘Código da Improvisação’, um verdadeiro ‘Código surpresa'”, afirma.
Na avaliação da jurista, a eventual aprovação da proposta ainda neste ano também levantaria questionamentos sob a perspectiva democrática. “Além do mais, penso ser antidemocrático votar ainda este ano, em plena mudança na composição do Legislativo, sem que os seus malefícios tenham sido suficientemente debatidos e digeridos”, complementa Martins-Costa.
Insegurança jurídica, superpoderes a juízes e Direito Digital concentram críticas
A forma de tramitação já desperta muitas críticas, mas os conteúdos das propostas também possuem problemas graves. Para juristas, diversas mudanças propostas podem aumentar a insegurança jurídica, ampliar a margem de interpretação dos juízes e elevar a judicialização de conflitos.
Caso o texto original do anteprojeto permaneça, e este seja aprovado, o Brasil pode ter um Código Civil pernicioso para a segurança jurídica e para o desenvolvimento econômico, contribuindo para congelar ainda mais o ambiente de negócios e a recessão econômica”, afirma um jurista ouvido pela reportagem sob condição de anonimato.
Um dos focos de preocupação está nas mudanças relacionadas aos contratos, já que a proposta amplia significativamente as hipóteses de revisão judicial de acordos firmados entre as partes, enfraquecendo a segurança jurídica e reduzindo a previsibilidade das relações privadas. A Gazeta do Povo já mostrou que o texto abre 33 brechas para quebrar um contrato na Justiça.
Esse problema é ampliado com os termos da proposta que substitui critérios mais objetivos por conceitos abertos e indeterminados, ampliando a margem de interpretação dos magistrados e reduzindo a previsibilidade das relações privadas. “Há uma verdadeira transferência do poder de legislar do Legislativo para o Judiciário”, avalia Martins-Costa.
A ampliação do poder judicial não é a única preocupação dos especialistas. O capítulo dedicado ao Direito Digital concentra algumas das críticas mais duras ao projeto por seus potenciais impactos sobre a liberdade de expressão e o funcionamento das redes sociais.
O livro sobre Direito Digital, por exemplo, é um dos mais preocupantes. Ele corporifica o projeto de poder autoritário de Alexandre de Moraes sobre as redes sociais”, conclui o jurista.
Fonte: Gazeta do Povo








