Eneva fecha contratos para novo hub de gás no Espírito Santo

Companhia vai instalar terminal de GNL e usinas no Porto de Barra do Riacho
Por Geraldo Bastos
A Eneva avançou na estruturação de dois novos polos de geração termelétrica a gás natural no Nordeste e no Sudeste. A companhia anunciou, no último dia 3, a assinatura de contratos com a Vports Autoridade Portuária para utilizar áreas no Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo, onde pretende instalar um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) e novas usinas termelétricas. O empreendimento, denominado Hub Espírito Santo, terá capacidade instalada de 690 megawatts (MW) e participação integral da empresa.
Com a definição da estrutura do projeto capixaba, a Eneva passa a deter 100% dos dois novos hubs de gás contratados no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP). Juntos, os empreendimentos do Ceará e do Espírito Santo somam 2.349,4 MW de capacidade instalada. Os contratos de venda de potência têm prazo de 15 anos.
No Ceará, o Hub terá capacidade de 1.659,4 MW e será implantado em Caucaia. Desse total, 1.199,4 MW correspondem ao produto com início de operação comercial previsto para 1.º de agosto de 2029. Os outros 460 MW estão programados para entrar em operação em 1.º de agosto de 2031. O abastecimento será feito por um terminal de GNL que a Eneva já desenvolve no Porto do Pecém.
No Espírito Santo, as usinas serão instaladas em Barra do Riacho, com início de operação comercial previsto para agosto de 2031. O projeto dependerá de um novo terminal de GNL, também sob responsabilidade da companhia. Para viabilizar a implantação, a Eneva firmou com a Vports contratos de exploração de área e instalação portuária. Os instrumentos asseguram o direito de uso dos espaços até 31 de dezembro de 2046, com possibilidade de renovação, desde que sejam cumpridas as condições precedentes previstas nos contratos.
Infraestrutura abre espaço para novos negócios

A estratégia da companhia vai além da geração de energia contratada no leilão. Segundo o comunicado, divulgado hoje, a infraestrutura dos dois hubs poderá servir de base para novos projetos termelétricos e outras oportunidades de negócios no mercado de gás natural. Uma das possibilidades é oferecer soluções de suprimento a terceiros, ampliando a utilização dos terminais e a atuação da Eneva na cadeia do combustível.
O modelo combina geração de energia e infraestrutura de recebimento e regaseificação de GNL. Na prática, os terminais permitirão receber o gás na forma liquefeita, transformá-lo novamente em estado gasoso e disponibilizá-lo para abastecer as usinas. A estrutura também poderá ampliar as alternativas de fornecimento para outros consumidores, caso os projetos avancem nessa direção.
Os empreendimentos do Ceará e do Espírito Santo são apontados pela empresa como elegíveis aos benefícios do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi). O comunicado também informa que estão localizados em áreas de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
A definição do Hub Espírito Santo completa uma etapa da organização do portfólio contratado no LRCAP 2026. O próximo desafio será avançar na implantação dos terminais e das usinas, respeitando os cronogramas previstos para 2029 e 2031. A entrada desses ativos no sistema ampliará a capacidade de geração termelétrica da companhia e poderá abrir novas frentes de atuação no mercado brasileiro de gás natural.
Fonte: Indústria News





