Cultura

Escrito à mão

Eu escrevo à mão
para fugir da rotina
que esmaga

Eu tento colocar
no papiro sensações,
ideias e sentimentos
variados

Eu uso o papel
como uma tábula rasa
onde eu registro, ensaio
e construo castelos
de vento

Eu uso a louça
como pano de fundo
de uma grande tela
mental cósmica e
universal

Eu escrevo à mão
como cura
Eu boto pra fora
todos os meus
fantasmas e as minhas
sombras mais horrorosas

Eu uso as palavras
para dizer o que eu quero
Para me comunicar,
agradecer e existir
no mundo sensível

Eu uso a escrita como
tributo, como ofício e
como regalo

Em versos soltos
e distraídos eu viajo
pelas estrelas do
universo infinito,

Eu voo livre pelas
estepes da vida
e revelo contente
todo o amor que
percebo no mundo

Mário Vieira

Capixaba, casado, autor e advogado

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