Ciência

Longevidade: estudo indica que humanos podem viver até 150 anos

Freddie Mercury e o Queen perguntavam “Who wants to live forever?” (“Quem quer viver para sempre?”, em tradução livre) em um de seus sucessos. Querendo ou não, viver para sempre ainda não é possível, mas um novo estudo sugere que podemos chegar a cerca de 150 anos. Até hoje, a pessoa que viveu mais tempo foi a francesa Jeanne Calment, com o recorde mundial de 122 anos. Mas afinal, qual é o período máximo para vivermos e como ele foi encontrado?

Entendendo nossos limites

Os pesquisadores afirmaram em um estudo, publicado no dia 25 de maio na Nature Communications, que mesmo se não morrermos de câncer ou outra doença grave e não sofrermos nenhum acidente fatal, a capacidade de nosso corpo de restaurar o equilíbrio de seus sistemas estruturais e metabólicos após interrupções diminui com o tempo. Então, mesmo sobrevivendo e enfrentando pouco stress, esse declínio natural define a expectativa de vida máxima para humanos em torno de 120 a 150 anos.
No final, se os perigos óbvios não tirarem nossas vidas, a perda de resiliência o fará, concluiu o time à frente da pesquisa. Resiliência, nesse caso, é o conceito da Física: a capacidade de acumular energia, quando exigidos ou submetidos a estresse, sem ocorrer uma ruptura.
Os resultados apontam para um “ritmo de envelhecimento” subjacente que define os limites da expectativa de vida, segundo Heather Whitson em entrevista à escritora Emily Willingham para a Scientific American. Whitson é diretora do Centro para o Estudo do Envelhecimento e Desenvolvimento Humano da Universidade Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, e não participou do estudo.

Como o estudo foi feito?

(Foto: Pixabay)

A pesquisa foi liderada por Timothy Pyrkov, pesquisador de uma empresa sediada em Cingapura chamada Gero. Ele e seus colegas analisaram esse “ritmo de envelhecimento” em três grupos grandes de pessoas, separadas por idade, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Rússia. Para avaliar os desvios na saúde, os pesquisadores usaram as contagens de células sanguíneas e o número diário de passos dados pelos participantes.
Eles encontraram um padrão, tanto para a contagem de células sanguíneas quanto para a contagem de passos e, conforme a idade aumentava, algum fator, além de doença, levou a um declínio previsível e incremental na capacidade do corpo de retornar as células sanguíneas ou a marcha a um nível estável após uma interrupção. Pyrkov e seus colegas em Moscou e Buffalo (NY) usaram esse ritmo previsível para determinar quando a resiliência desapareceria por completo, levando à morte.
Os pesquisadores também descobriram que, com a idade, a resposta do corpo às agressões pode variar cada vez mais para longe do normal estável, exigindo mais tempo para recuperar-se. Whitson aponta que pressão arterial e contagem de células sanguíneas têm uma faixa saudável conhecida, mas quantos passos alguém dá por dia é algo muito pessoal. O fato de Pyrkov e seus colegas escolherem uma variável tão diferente das contagens sanguíneas e ainda assim descobrirem o mesmo declínio na saúde ao longo do tempo pode sugerir um fator real do ritmo de envelhecimento.

Fatores sociais no envelhecimento

(Foto: Pixabay)

Os pesquisadores encontraram uma curva acentuada no envelhecimento entre 35 e 40 anos que os surpreendeu. Pyrkov afirmou que esse período é, muitas vezes, o momento em que a carreira esportiva de um atleta termina, o que seria “uma indicação de que algo na fisiologia pode realmente mudar nesta idade”, ele disse.
“A morte não é a única coisa que importa”, lembrou Whitson. “Outros fatores, como qualidade de vida, começam a ter cada vez mais importância à medida que as pessoas vivenciam sua perda”, afirmou a especialista. A morte modelada nesse estudo, segundo ela, é a última morte prolongada. A pergunta que fica é: podemos prolongar a vida sem também estender a proporção do tempo em que as pessoas passam por um estado de fragilidade?

Vamos, invariavelmente, ficar velhos

(Foto: Freepik)

Segundo o estudo, tratar de doenças a longo prazo não encerrará os processos biológicos fundamentais de envelhecimento — eles vão continuar. Então, a ideia de desacelerar o processo de envelhecimento tem chamado a atenção de pesquisadores que veem tais intervenções para “comprimir a morbidade”, diminuir a doença e a enfermidade no final da vida, estendendo a expectativa de dias saudáveis.

Fonte: Tecmundo

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