Possível quartel dos bombeiros da Roma Antiga é descoberto perto do Coliseu

Escavações revelaram edifício do século II com mosaicos e afrescos que pode ter servido como base dos vigiles, responsáveis por combater incêndios
Por Mariana Lima
Arqueólogos fizeram uma descoberta que pode lançar nova luz sobre a organização urbana e militar da Roma Antiga. Durante escavações realizadas nas proximidades do Coliseu, pesquisadores encontraram um edifício datado do século 2 que pode ter funcionado como quartel dos vigiles, grupo responsável pelo combate a incêndios e pela manutenção da ordem pública durante o Império Romano. A estrutura, localizada no parque da Villa Celimontana, ainda está sendo estudada, mas elementos arquitetônicos e decorativos encontrados no local reforçam essa possibilidade.
Segundo a Superintendência Especial de Arqueologia, Belas Artes e Paisagem de Roma, a confirmação dessa hipótese poderá ampliar o conhecimento sobre um dos mais importantes complexos militares da capital do império. O edifício foi encontrado durante escavações no parque da Villa Celimontana, antiga residência nobre construída no século 16 sobre o Monte Célio, uma das sete colinas históricas da Roma Antiga.
Até o momento, os arqueólogos escavaram completamente cinco dos oito cômodos identificados na construção. Apesar de a investigação ainda estar em andamento, os ambientes preservam importantes vestígios da arquitetura romana, incluindo mosaicos e restos de afrescos que ajudam a reconstruir a aparência original do edifício. Os pesquisadores destacam que as próximas etapas da escavação e da análise dos materiais encontrados serão fundamentais para compreender a função exata da estrutura.

Mosaico pode ser a principal pista
Entre os elementos mais importantes encontrados está um mosaico bastante preservado. A composição representa um grande vaso com duas alças cercado por figuras marinhas, incluindo um golfinho, um peixe, uma lagosta e um caranguejo. Segundo a superintendência responsável pelas escavações, esse desenho apresenta forte semelhança com outro mosaico descoberto anteriormente em um quartel dos vigiles localizado em Óstia, antigo porto de Roma situado a cerca de 30 quilômetros da capital italiana.
A similaridade entre as duas obras levou os arqueólogos a considerar que o edifício recém-descoberto possa ter pertencido ao quartel da Quinta Coorte dos Vigiles, unidade que atuava na região durante o período imperial. Caso essa interpretação seja confirmada, o achado poderá alterar o entendimento sobre a extensão desse complexo militar e sobre a distribuição das instalações utilizadas pelos bombeiros da Roma Antiga.

Quem eram os vigiles?
Durante o Império Romano, os vigiles exerciam uma função essencial para o funcionamento da cidade. Além de combater incêndios, uma ameaça constante em uma metrópole densamente ocupada e repleta de construções de madeira, eles também realizavam patrulhamento noturno e colaboravam com a manutenção da ordem pública. O quartel localizado ao lado do edifício recém-descoberto utilizava água proveniente de um aqueduto próximo para abastecer suas atividades, o que reforça a importância estratégica da região para esse serviço.
A possível identificação de uma nova área ligada aos vigiles pode oferecer informações importantes sobre a infraestrutura destinada ao combate a incêndios e sobre a organização das forças responsáveis pela segurança urbana na Roma imperial. Embora a possibilidade de o edifício ter servido como quartel seja considerada promissora, os pesquisadores ressaltam que essa ainda não é uma conclusão definitiva. Uma interpretação alternativa sugere que a construção possa ter sido uma domus, residência pertencente a uma família patrícia. Esse tipo de imóvel era comum no alto do Monte Célio, região tradicionalmente ocupada por membros da elite romana. Os próprios elementos decorativos encontrados durante as escavações, como os mosaicos e os afrescos sofisticados, também podem ser compatíveis com uma residência de alto padrão, o que mantém ambas as hipóteses em aberto.
Estudos ainda definirão a função do edifício
A Superintendência Especial de Arqueologia destacou que somente uma análise aprofundada das estruturas expostas e dos materiais recuperados permitirá determinar a verdadeira finalidade do edifício. Enquanto isso, os arqueólogos continuam o trabalho de documentação e escavação da área, buscando reunir novas evidências capazes de confirmar se o local fazia parte do complexo militar dos vigiles ou se era, na verdade, uma luxuosa residência romana.
As pesquisas integram um projeto financiado com recursos da União Europeia destinados à recuperação econômica após a pandemia de covid-19. Além de ampliar o conhecimento sobre a Roma Antiga, a iniciativa também contribui para a preservação do patrimônio arqueológico de uma das cidades mais estudadas do mundo.
Fonte: Aventuras na História





