Mobilidade

Avenida em Bairro de Fátima vira palco de rachas e alta velocidade

Pedestres e ciclistas sofrem com imprudência e falta de educação de alguns motoristas e motociclistas nas avenidas mais movimentadas do bairro

Trafegar por ruas e avenidas de Bairro de Fátima tem se tornado uma atividade de risco para ciclistas e pedestres, pois os automóveis e as motocicletas que movimentam diariamente a malha viária do bairro o fazem, quase sempre em alta velocidade. Até que alguns motoristas são educados, mas a grande maioria é imprudente.
Estas são algumas das dificuldades enfrentadas por quem usa as avenidas José Rato e Amazonas para ir e vir. Isso ocorre por, talvez, falta de fiscalização dos setores de trânsito do município ou da falta de atenção da administração pública? O que sabemos é que, cada dia que passa, essas vias estão mais perigosas. Os rachas e os acidentes envolvendo carros, motos e transeuntes vêm se tornando cada vez mais frequente nos últimos anos.
Localizadas na grande Bairro de Fátima, essas pistas são de importância incalculável para o fluxo de automóveis que, todos os dias, se espremem para chegar aos seus destinos nas empresas e nos polos comerciais do município e da capital, Vitória.
Segundo os comerciantes, as avenidas são verdadeiras pistas de corrida. Carlos Humberto, comerciante e morador do bairro disse que as avenidas são muito perigosas “temos escolas, creches e um colégio de ensino médio na redondeza, cujas calçadas são utilizadas pelos alunos. As autoridades precisam rever os atuais conceitos de mobilidade urbana. Em países humanizados as pessoas estão sempre em primeiro plano, mas, no nosso País, os investimentos são em viadutos e alargamento de ruas e avenidas para os automóveis, cadê as ciclovias?”, questiona.

Semáforo da Avenida Amazonas, Hélio Ferraz (Foto: Haroldo Cordeiro Filho/F&N)

Para Cristina Margon, que há três anos instalou sua assessoria contábil na avenida José Rato, é comum ver acidentes entre carros e atropelamentos. “O Bairro de Fátima é uma área urbana, tenho vista para a rua e vejo crianças, idosos, portadores de deficiências e trabalhadores transitando diariamente aqui e sendo obrigados a conviver com o perigo a todo instante”, denuncia.
Eu, Haroldo Cordeiro Filho, colunista do Fatos & Notícias, ciclista esportivo e morador do conjunto Carapina I há mais de quarenta anos, sei que o problema está nos dois semáforos existentes e aos quais os motoristas não respeitam. Precisamos de faixas elevadas e, tenho certeza, que isso é de conhecimento da administração municipal. Precisam instalar, com urgência, mais duas faixas elevadas nos lugares dos semáforos que não têm nenhuma efetividade. Acredito ser uma necessidade ambiental e social a diminuição de carros nas ruas, a bolha dos automóveis se rompeu, o consumo desenfreado é mera ignorância e comodidade.
Acredito ainda que o carro usado para a compra no supermercado ou lazer não causa grandes prejuízos. O absurdo é ter milhões de pessoas indo de carro para o trabalho todo dia, para os mesmos destinos e a mesma hora… Nosso modelo de mobilidade urbana é míope e arcaico, os tempos são outros. Se tivéssemos um investimento sério em transporte público de qualidade e oferta de ciclovias, integrando toda a região metropolitana, teríamos todos esses problemas minimizados ou até mesmo extintos.

No Brasil circulam mais de 45,4 milhões de automóveis (Foto: Reprodução)

Essa situação é preocupante, pois, segundo a Associação Nacional dos Detrans (AND), o número de carros não para de crescer no País, já são mais de 45,5 milhões de veículos circulando e poluindo nosso meio ambiente, é um automóvel para 4,4 habitantes, fora os outros veículos automotores. O século dos automóveis passou, ficou no passado, vivemos dias diferentes, não precisamos de viadutos e alargamento de ruas porque são paliativos, e sua eficiência se esgota com cinco e, no máximo, ou 10 anos… Precisamos mesmo é generalizar o uso da bicicleta, especialmente a elétrica, com implantação de ciclovias e investimentos em transportes coletivos e alternativos.
Nessa linha de raciocínio, vou um pouco além, cadê nosso aquaviário? É inconcebível que essa obra ainda não tenha saído do papel! A Grande Vitória é cercada de água e há quantos anos a população está refém do transporte rodoviário? Sabemos que o lobby é forte, seja por pressão política de empreiteiras e montadoras.
Procurada pela nossa reportagem, a Associação de Moradores do Conjunto Carapina I, através do vice-presidente, Jean Carlos Lipaus, disse que o secretário de Infraestrutura da Serra, Ralpher Luiggi, esteve no bairro há alguns meses para ver a necessidade de se instalar a primeira faixa elevada (o que foi feito), e informou ainda que seria iniciado um estudo para possível instalação de outras três ou quatro faixas elevadas nas avenidas José Rato e Amazonas.
A comunidade e todos os que precisam utilizar essas vias esperam que as medidas sejam tomadas antes que alguma tragédia aconteça com um inocente e que a segurança de pedestres, ciclistas e até mesmo de motoristas e motociclistas seja prioridade.

Haroldo Cordeiro

Haroldo Cordeiro

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

EnglishPortugueseSpanish