Recorde histórico: Rombo fiscal anualizado bate R$ 1,2 trilhão

Rombo é impulsionado por juros da dívida e resultado primário negativo
O déficit nominal anualizado das contas públicas chegou a R$ 1,218 trilhão no acumulado de 12 meses até março, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC) na semana passada. É o maior rombo da série histórica, iniciada em 2002. O resultado do setor público consolidado, que reúne União, estados, municípios e estatais, permanece acima de R$ 1 trilhão há sete meses consecutivos. O rombo também avançou pelo 9.º mês seguido.
A deterioração das contas públicas é explicada por dois fatores principais: aumento dos gastos com juros da dívida e déficit primário, que é a diferença entre receitas e despesas sem considerar os juros. Os gastos com juros somaram R$ 1,080 trilhão no acumulado de 12 meses até março, acima dos R$ 1,037 trilhão registrados em fevereiro. É o maior nível da série histórica.
O avanço das despesas financeiras está ligado ao patamar da taxa básica de juros, a Selic. O Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual na quarta-feira (29), mas o nível ainda é considerado elevado e restritivo para a atividade econômica. O resultado primário ficou negativo em R$ 137,1 bilhões no acumulado de 12 meses até março. Em fevereiro, o déficit era de R$ 52,8 bilhões.
Em março, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 80,7 bilhões. O governo central respondeu pela maior parte do resultado negativo, com déficit de R$ 74,8 bilhões. Os governos regionais tiveram déficit de R$ 5,4 bilhões, e as estatais fecharam com saldo negativo de cerca de R$ 500 milhões. O resultado primário indica se o governo arrecadou mais do que gastou antes do pagamento de juros da dívida. Já o resultado nominal inclui os juros e mostra o impacto total das contas públicas sobre o endividamento do país. No mesmo mês, os gastos com juros nominais chegaram a R$ 118,9 bilhões, acima dos R$ 75,2 bilhões registrados em março de 2025.
Fonte: Claudio Dantas




