Paleo & Arqueologia

A polêmica expedição em busca da “Arca de Noé”

Pesquisas indicam estruturas incomuns sob formação rochosa na Turquia, onde grupo acredita estar soterrada a Arca de Noé

Por Felipe Sales Gomes

Uma nova investigação realizada no leste da Turquia voltou a colocar em pauta um dos maiores enigmas da tradição bíblica: a possível localização da lendária Arca de Noé. Pesquisadores afirmam ter identificado estruturas subterrâneas incomuns em uma formação geológica próxima ao Monte Ararat — região historicamente associada ao relato do dilúvio no livro do Gênesis. Apesar do entusiasmo gerado pelos novos dados, a comunidade científica mantém cautela: não há, até o momento, qualquer prova definitiva de que a estrutura analisada tenha origem humana — muito menos de que seja a embarcação descrita na Bíblia.
O foco da pesquisa é a chamada formação de Durupinar, um relevo com formato semelhante ao de um navio, medindo cerca de 160 metros de comprimento. A estrutura foi identificada ainda em 1959 e, desde então, atrai tanto estudiosos quanto entusiastas de arqueologia bíblica. A narrativa do Gênesis descreve a Arca como uma embarcação de grandes proporções construída para sobreviver a um dilúvio global — um evento que teria devastado a Terra e preservado apenas Noé, sua família e pares de animais. A semelhança entre as dimensões da formação turca e as medidas bíblicas é frequentemente citada como um dos principais argumentos de quem acredita na autenticidade do local.

Local onde estaria enterrada a Arca de Noé (Foto: Noah’s Ark Scans)

“Corredores” subterrâneos
Segundo os pesquisadores envolvidos, exames com radar de penetração no solo (GPR) revelaram padrões geométricos sob a superfície. Entre os achados estariam possíveis corredores e compartimentos internos que lembrariam a estrutura de um grande navio. Além disso, análises químicas indicaram diferenças no solo dentro da formação em comparação com áreas externas.
Amostras internas apresentaram maior concentração de matéria orgânica e alterações no pH — fatores que alguns cientistas interpretam como possíveis indícios de material orgânico em decomposição, como madeira. Esses resultados reforçam a hipótese de que a formação possa ter origem não apenas geológica, mas também estrutural. Ainda assim, os próprios pesquisadores reconhecem que os dados são preliminares e exigem investigações mais profundas.

Arca de Noé pintada na igreja de San Maurizio al Monastero Maggiore, igreja de Milão, Itália, de origem cristã primitiva (Foto: Getty Images)

Descobertas recentes
Outras evidências indiretas também vêm sendo citadas para sustentar a hipótese de ocupação humana antiga na região. Fragmentos de cerâmica encontrados nas proximidades sugerem atividade humana entre cinco mil e sete mil anos atrás — período que alguns associam ao suposto dilúvio bíblico. Além disso, estudos anteriores identificaram depósitos marinhos e sedimentos que indicam que a área já esteve submersa no passado, o que contribui para a narrativa de um grande evento de inundação.
Ainda que esses achados sejam intrigantes, eles não comprovam a existência da Arca — apenas indicam que a região possui uma história geológica e humana complexa. Apesar da repercussão, arqueólogos e geólogos seguem classificando a maioria dessas investigações como especulativas. A busca pela Arca de Noé é frequentemente associada à pseudoarqueologia — um campo marcado por interpretações que não seguem rigorosamente os métodos científicos tradicionais.
Estudos geológicos realizados ao longo das últimas décadas indicam que a formação de Durupinar pode ser resultado de processos naturais, como dobras sedimentares e erosão. Até hoje, nenhuma escavação controlada conseguiu demonstrar a presença de estruturas artificiais no local. Além disso, não há evidências científicas que sustentem a ocorrência de um dilúvio global como descrito na Bíblia. Pesquisadores sugerem que a narrativa pode ter sido inspirada em eventos regionais de inundação no Oriente Médio, posteriormente incorporados à tradição religiosa.

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *