Ministro de Lula defende aumentar a dívida do país para “salvar a economia popular”

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, entregou nesta quinta-feira, 16 de abril, num café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, a real disposição fiscal do governo Lula diante da guerra no Oriente Médio. Sem rodeios, o chefe da articulação política do governo afirmou que, se for necessário aumentar o endividamento do país para proteger a chamada “economia popular”, isso deve ser feito.
“O governo vai continuar no mesmo caminho, de responsabilidade fiscal e social. É claro que, em uma guerra dessa, não podemos transferir para a população os prejuízos dela. Na minha opinião, se tiver de aumentar o endividamento do país, tem que fazer, para salvar a economia popular”, declarou Guimarães.
A declaração ocorre no mesmo dia em que o governo enviou ao Congresso o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, documento que deveria sinalizar comprometimento com o equilíbrio das contas públicas. O ministro garantiu que o governo seguirá “no mesmo caminho de responsabilidade fiscal e social” — e na mesma frase defendeu aumentar a dívida pública como instrumento de política econômica.
Guimarães revelou que o governo Lula trabalha com a hipótese de que o conflito no Oriente Médio dure mais dois meses, e que as medidas econômicas anunciadas até agora foram calibradas com base nesse prazo. “Ninguém sabe se essa guerra vai até o fim do ano ou não. O governo está trabalhando na hipótese de dois meses, e as medidas são nesse sentido”, disse o ministro.
O próprio Guimarães admitiu que as ações adotadas até o momento para conter o impacto da guerra sobre os combustíveis tiveram “resultado insuficiente”. O Executivo deve anunciar novas medidas “logo, logo”, incluindo a possibilidade de subsídios específicos para conter a alta da gasolina — uma política que o PT historicamente criticou quando adotada por governos anteriores.
Sobre o conflito em si, o ministro foi categórico: “é uma guerra que nós não temos nada a ver com ela”. A frase resume a posição do governo diante de uma crise externa cujos efeitos internos — combustíveis mais caros, inflação acima da meta, pressão sobre o câmbio — o próprio ministro reconhece não estar conseguindo conter. Um governo que defende aumentar a dívida pública para enfrentar uma guerra que “não tem nada a ver” com o Brasil, que admite que suas medidas foram insuficientes e que planeja subsidiar combustíveis às vésperas de um ano eleitoral. A declaração de Guimarães desta quinta-feira condensou, em poucas frases, a política econômica do governo Lula em 2026.
Fonte: Hora Brasília





