Paleo & Arqueologia

Civilização mais antiga que as pirâmides do Egito é descoberta no Canadá

Fotografia de mulher indígena canadense Cree em 1926 e escavações arqueológicas em 2025

Por Augusto César

Recentemente um assentamento indígena de 11.000 anos foi encontrado na região de Saskatchewan, no oeste canadense. Arqueólogos apontam que o sítio arqueológico pode reescrever a história das populações indígenas norte-americanas. Conforme as escavações avançam, mais itens são encontrados. Até agora foram identificados ferramentas de pedra, materiais de fabricação de ferramentas, região de fogueiras permanentes e etc., características suficientes para que os historiadores considerem essa uma região de assentamento de longo prazo.
Até então, os historiadores acreditavam que os povos indígenas das Américas tinham demorado muito mais tempo para sair do modelo nômade, em que construíam campos de caça temporários, para o sedentarismo, estabilização em um local. Porém, a nova região encontrada nos dá indícios de ocupação constante durante centenas de anos. No mesmo sentido, tradições indígenas locais contam sobre informações reconhecíveis na região.

O assentamento
Primeiramente, vale a pena destacar que na região há uma área delimitada para as fogueiras. Essa informação pode até parecer banal para nós, mas para os historiadores as cinzas são muito reveladoras. Conforme o artigo do Daily Mail, havia camadas de carvão vegetal acumuladas em uma região. Desse modo, é possível compreender que esses indígenas possuíam o manejo controlado do fogo.
Similarmente, foram encontradas ossadas do extinto Bison antiquus, espécie mamífera muito parecida com os bisões atuais e que podia chegar a duas toneladas. Muito provavelmente, essa era a principal fonte de carne da população, possibilitando o assentamento pré-histórico.

O Dr. Glenn Stuart, da Universidade de Saskatchewan, disse: “a evidência de assentamentos de longo prazo e administração de terras sugere uma presença enraizada. […] Também levanta questões sobre a Teoria do Estreito de Bering, apoiando histórias orais de que as comunidades indígenas viveram aqui por inúmeras gerações”.

A pesquisa e seus desdobramentos
No entanto, essa pesquisa não é nova. Na verdade ela foi realizada em 2025 e algumas informações, das acima citadas, foram sendo descobertas ao longo do ano passado e deste. A memória do estudo se deu com um grupo de usuários da rede X comentando sobre a importância da descoberta. Um dos usuários demonstrou surpresa e admiração ao saber de como os primeiros assentamentos surgiram logo após o fim da última Era Glacial. Ele complementou: “por volta de 11 mil anos atrás, grande parte do continente ainda estava passando por dramáticas mudanças ambientais à medida que as geleiras recuaram e os ecossistemas se transformaram”.
Porém, com a retomada do interesse no assunto, os pesquisadores comentaram sobre o caso. O arqueólogo Dave Rondeau disse em um comunicado: “no momento em que vi as camadas da história espreitando através do solo, senti o peso de gerações me encarando”.
Além disso, em sua fala, Dave destacou que grandes obras como Stonehenge e as pirâmides surgiram de assentamentos posteriores ao do Canadá, informação que se chocou com as teorias sobre o povoamento das américas. Conforme o estudo, a região também foi escolhida devido seu relevo que possibilitava o encurralamento dos bisões. Mais um motivo para se estabelecer na região. No entanto, outros usuários destacaram como culturas indígenas de regiões próximas preservaram as informações.

Cultura Indígena
Hoje há na região uma comunidade que ativamente preserva a memória ancestral, a Sturgeon Lake First Nation (ou Primeira Nação do Lago Sturgeon, em tradução livre). Conforme disse a líder Christine Longjohn.

Esta descoberta é um poderoso lembrete de que nossos ancestrais estavam aqui, construindo, prosperando e moldando a terra muito antes de os livros de história nos reconhecerem. Nossas vozes foram silenciadas, mas este sítio fala por nós, provando que nossas raízes são profundas e ininterruptas. Carrega os passos de nossos antepassados, suas lutas, seus triunfos e sua sabedoria. Cada pedra, cada artefato é uma prova de sua força. Não estamos apenas recuperando a história, estamos reivindicando nosso lugar de direito nela”.

A comunidade Sturgeon Lake First Nation fica a cerca de 30 quilômetros da cidade de Príncipe Albert, em Saskatchewan. Além disso, o local é o lar dos Plains Cree, grupo indígena algonquino nativo das Grandes Planícies do norte. Desde que conseguiram autonomia para viver na região, a Nação conta com mais de 3.270 membros e preserva os modos de vida e cuidado com a terra, língua e cultura, porém, sem deixar de promover a educação, a economia e garantir a autodeterminação de cada indivíduo.

Foto de capa : Getty Images/Divulgação/University of Saskatchewan

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *