Internacional Política

Cortes de Trump na USAID coincidem com avanço da direita na América Latina

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de desmontar mais de 80% dos programas da USAID voltou a ganhar destaque diante da recente sequência de vitórias eleitorais de candidatos de direita na América Latina. Nos últimos meses, lideranças conservadoras e liberais passaram a apontar uma relação entre a redução do financiamento internacional e o enfraquecimento de estruturas políticas, organizações e grupos que historicamente receberam apoio de entidades ligadas à cooperação estrangeira.
A discussão ganhou força após as vitórias de líderes identificados com pautas de direita em países da região e, mais recentemente, com a eleição do advogado Abelardo de la Espriella na Colômbia, encerrando o ciclo do governo de esquerda de Gustavo Petro. Desde que assumiu a Casa Branca, Trump transformou a USAID em um dos principais alvos de sua agenda de cortes. O argumento da administração republicana é que parte dos recursos da agência era utilizada para financiar projetos que ultrapassavam a cooperação humanitária e passavam a influenciar debates políticos internos de países estrangeiros.
A medida atingiu milhares de contratos e organizações espalhadas pelo mundo, incluindo entidades que atuavam na América Latina em áreas como comunicação, ativismo político, governança, políticas públicas e mobilização social. Entre apoiadores da decisão, cresce a avaliação de que a redução desses recursos diminuiu a capacidade de influência de redes internacionais que, segundo eles, contribuíam para sustentar governos e movimentos alinhados à esquerda na região.

O argumento ganhou força porque os cortes ocorreram simultaneamente ao avanço de lideranças que defendem soberania nacional, liberdade econômica, combate ao crime organizado e menor dependência de organismos internacionais. A eleição de Javier Milei na Argentina foi o primeiro grande marco desse movimento. Agora, a vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia é apontada por setores conservadores como mais um sinal de mudança no eixo político regional.
Para esses grupos, a diminuição do fluxo de recursos internacionais reduziu a capacidade de articulação de estruturas políticas que, durante décadas, exerceram influência em debates eleitorais, institucionais e culturais em diversos países latino-americanos. Embora a coincidência temporal seja frequentemente destacada por analistas conservadores, especialistas em ciência política afirmam que não há provas concretas de uma ligação direta entre os cortes da USAID e os resultados eleitorais observados na região. Ainda assim, o tema permanece no centro do debate político continental.
Para apoiadores de Trump, o enfraquecimento da USAID representa uma das medidas mais relevantes de sua política externa, por reduzir a influência de organizações internacionais sobre governos nacionais. Já críticos argumentam que os cortes afetaram programas legítimos de assistência e desenvolvimento sem que exista evidência de que tenham alterado, por si só, o rumo político da América Latina. O fato é que, coincidência ou não, o desmonte da USAID ocorreu justamente no período em que a região passou a registrar uma crescente onda de vitórias de candidatos identificados com a direita, alimentando uma discussão que promete continuar nos próximos anos.

Fonte: Hora Brasília

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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