Meio ambiente

Sete novas espécies de rãs são encontradas em Madagascar

Nova descoberta revela natureza oculta sob as folhas de Madagascar; novas espécies podem ser “apenas o começo” de nova pesquisa

Por Augusto César

No fim do mês de julho, uma equipe internacional de cientistas descreveu sete novas espécies de rãs-diamante, grupo raro de Madagascar. A descrição publicada na revista Vertebrate Zoology, revela que pode haver dezenas de novas espécies escondidas sob a serrapilheira da floresta. Evoluídas para se disfarçarem na folhagem, muitas das espécies descritas passam a maior parte da vida debaixo das folhas secas. Ao mesmo tempo, quando emergem, tornam difícil a identificação por todas se assemelharem às folhas secas do ambiente.
Assim, com análises avançadas de DNA, cientistas passaram a catalogar as espécies sistematicamente desde 2014. Somente neste ano que conseguiram validar a identidade e a distribuição desses anfíbios em constante diminuição devido aos avanços das intervenções humanas. Embora as rãs-diamante apresentem muitas diferenças entre si quanto ao formato, suas cores não fogem muito do espectro marrom das folhas. Algumas espécies são notavelmente arredondadas, assemelhando-se aos sapos-da-chuva, da África continental, e passam grande parte de suas vidas escondidas sob o solo da floresta.
Já outras espécies habitam ambientes cheios de lodo e musgo. Por isso, contam com pernas longas e/ou corpos robustos. No entanto, a coloração também tem suas diferenças, vide que várias escondem manchas laranjas ou marcas brancas ou pretas marcantes nas coxas e na parte inferior das costas, que podem servir para assustar predadores.

Assim, para os pesquisadores, essa é uma das espécies menos estudadas de Madagascar. No entanto, para descobrir essas diferenças, foram necessários longos 12 anos de pesquisa e catalogação. Pois, embora algumas espécies fossem nítidamente novas, os cientistas tiveram de revisar toda uma bibliografia confusa e imprecisa da descrição desses animais que, como descrito, se parecem quando vistas a distância. Conforme o Dr. Mark D. Scherz, curador de herpetologia do Museu de História Natural da Dinamarca e principal autor do estudo.

Quando iniciei este projeto, há 12 anos, já sabíamos que havia várias espécies à espera de serem descritas, e quase todas as expedições a Madagascar revelavam uma nova. Algumas eram relativamente fáceis de descrever, mas outras eram complicadas pela incerteza em torno dos nomes de espécies mais antigas. Desvendar esse enigma levou anos”.

Nesse sentido, a descoberta só se consolidou quando espécimes históricos localizados em museus foram analisados e tiveram seus DNAs decodificados. Assim, o biólogo conseguiu ter certeza de quais espécies marcadamente já tinham sido analisadas. Aquelas que não estavam nos museus, foram descobertas novas espécies. Contudo, apesar de terem subido o número de 20 para 27 espécies de anfíbios Rhombophryne, os pesquisadores destacam que provavelmente há outras espécies sem nome esperando para serem descritas cientificamente. Por isso, para Mark Scherz, mais do que o fim do estudo, ele, e sua equipe, estão apenas no começo do projeto. Para a revista Phys, o biólogos destaca.

Cada espécie recém-descrita representa milhões de anos de história evolutiva única. Quanto mais aprendemos sobre os notáveis ​​anfíbios de Madagascar, mais claro fica que ainda há muito a descobrir“.

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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