Há 115 anos, o santuário inca de Machu Picchu foi redescoberto

Expedição realizada em 24 de julho de 1911 revelou ao mundo o imponente complexo inca de Machu Picchu, que historiadores tentam desvendar até hoje
Por Éric Moreira
Há 115 anos, no dia 24 de julho de 1911, o explorador e professor norte-americano Hiram Bingham, da Universidade de Yale, chegava à imponente cidadela de pedra de Machu Picchu, no Peru. Embora o termo “descoberta” precise ser utilizado com cautela — uma vez que a localidade nunca esteve totalmente perdida para os fazendeiros da região, que inclusive orientaram o pesquisador —, o episódio marcou o momento em que o complexo arqueológico foi apresentado ao mundo contemporâneo.
A caminhada de Bingham começou sob uma garoa fria na densa selva peruana, onde o explorador precisou cruzar pontes de troncos e cipós. Duas horas após o início do percurso, ele e seus dois acompanhantes encontraram uma cabana de agricultores locais. Dois camponeses guiaram o grupo por um pequeno trecho e depois os deixaram sob a condução de um menino. Foi essa criança quem liderou Bingham até as escarpas onde se encontravam as ruínas da estrutura de pedra talhada, de acordo com a National Geographic.
O que o pesquisador observou foi um complexo residencial, palaciano e templário erguido sem argamassa, com blocos que se encaixavam de forma precisa. Na época, Bingham acreditou ter encontrado Vilcabamba, a chamada Cidade Perdida dos Incas, onde a resistência contra os conquistadores espanhóis havia se concentrado. Ele defendeu essa teoria por quase 50 anos. Contudo, em 1964, o aventureiro Gene Savoy demonstrou que a verdadeira Vilcabamba ficava em Espiritu Pampa — localidade que o próprio Bingham havia visitado em 1911, mas desconsiderado por focar suas atenções em Machu Picchu.

Importância histórica
O propósito original da cidadela permanece sob debate, já que não existem registros coloniais espanhóis sobre ela, provando que os invasores europeus nunca a encontraram. O próprio Bingham formulou hipóteses de que o local funcionaria como um convento para mulheres escolhidas ou como o berço dos ancestrais incas, baseado em uma análise inicial de esqueletos que ele acreditava serem majoritariamente femininos — dado corrigido por estudos modernos, que apontaram proporções iguais entre homens e mulheres.
Investigações posteriores de arqueólogos revisaram essas teorias, indicando que Machu Picchu servia como um refúgio de descanso para o governante Pachacuti e para as elites. Estimativas apontam que a população local ficava entre 500 e 750 pessoas, com evidências de cerâmicas e deformações cranianas que indicam que os habitantes vinham de diversas partes do império. Atualmente, análises geográficas sugerem também que o local funcionava como um centro cosmológico e sagrado, cercado pelo rio Urubamba e montanhas reverenciadas.
Fonte: Aventuras na História




