Sociedade do cansaço

Talvez, quem sabe, estejamos mesmo vivendo uma era cheia de ressentimentos, de um mundo líquido empilhado de multitarefas e em plena sociedade do cansaço. Iludidos pelo falso brilho da matéria, trocamos, sem perceber, o ser pelo ter, num movimento pendular infinito.
Nesta toada, oscilamos frequentemente entre a ânsia de ter e o enfado de possuir e, assim, meio que anestesiados, seguimos acumulando cada vez mais coisas de que não precisamos pelo simples prazer da compra.
Nos distraímos diariamente com bobagens e assuntos irrelevantes e somamos informações ao invés de conhecimento. Gostamos de dar pitaco em tudo, principalmente em assuntos que não dominamos.
De ordinário, buscamos a aprovação do público e de pessoas que nem conhecemos. Vivemos isolados em bolhas de pura zona de conforto, capturados pelo marketing, pelo mercado e pelo sistema.
Trocamos os livros, o estudo sistematizado e a pesquisa pela “IA, pelo “WhatsApp” e pelo “TikTok”. E, de repente, percebemos que não temos tempo para mais nada: para a família, para os amigos e, principalmente, para nós mesmos.
Ansiamos por tudo e não aproveitamos quase nada. Viramos escravos da estética, confundimos a ética e nos distanciamos da verdade. Trocamos de carro e de roupas pela etiqueta, reagimos de acordo com a lógica de mercado. Trocamos abraços e sentimentos genuínos por “likes”, curtidas e cutucadas. E, neste contexto, geralmente quando paramos de refletir, cogitar e filosofar, seguimos como “Sísifos modernos”, repetindo sempre as mesmas coisas e curtindo a vida que não é pensada…



