Imagens comprovam maior movimentação já registrada em complexo nuclear do Irã

Propaganda do regime do Irã em Teerã, capital iraniana
Por Fábio Galão
O think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) divulgou nesta quarta-feira (9) um relatório que apontou que está ocorrendo a maior movimentação já registrada na montanha Pickaxe (Kuh-e Kolang em persa), que abriga um complexo nuclear do regime islâmico na região central do Irã.
O estudo se baseou na análise de dados de seis anos de detecção de mudanças por radar de abertura sintética (SAR) e detecção de mudanças ópticas via Sentinel-2, além de imagens de altíssima resolução (VHR) da Airbus de 9 de julho deste ano e uma imagem de satélite da empresa Satellogic de 9 de agosto.
“A análise de imagens de múltiplas fontes da Montanha Pickaxe e da instalação nuclear de Natanz, abrangendo o período de 2020 até o presente, revela um padrão de atividade claro, dividido em três fases, nos cinco principais pontos de interesse e nas vias que os conectam. Isso indica uma transição do local de uma fase de escavação ativa para uma de provável construção interna e contínuo reforço externo”, informou o CSIS.
O think tank americano apontou no relatório que, “em conjunto, essas imagens revelam uma atividade viária na Montanha Pickaxe em 2026 superior a qualquer outro momento da história do local”.
Observa-se um aumento nítido na atividade de construção em 2026, correspondendo à elevação e ao reforço estrutural dos portais de acesso, à pavimentação da rede viária interna, ao reforço das áreas de acesso e ao nivelamento do terreno com a remoção de material resultante das escavações”, alertou o CSIS.
A montanha Pickaxe está localizada perto da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, já atacada durante a atual guerra contra os Estados Unidos e Israel, e abriga dois complexos a cerca de 100 metros de profundidade, escavados em granito sólido. O presidente americano, Donald Trump, tem sinalizado nos últimos dias que pretende ordenar um ataque ao complexo nuclear.
Notamos que há alguma atividade em Pickaxe. Aconselho o Irã a não tentar nenhuma gracinha, pois teremos de atingi-los com muita força”, disse Trump na quarta-feira, durante a convenção do Partido Republicano para as eleições de meio de mandato presidencial, em Dallas.
A alegação de que o Irã estava perto de obter armas nucleares foi a motivação para a atual guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro. No seu relatório, o CSIS disse que sua análise “não permite refutar nem confirmar a alegação da inteligência israelense de que o Irã teria transferido centrífugas para a montanha Pickaxe”.
Porém, destacou que “a continuidade das obras, a ausência de um reforço na segurança interna e a não observação de veículos ou equipamentos que não sejam voltados para a construção sugerem que a instalação subterrânea ainda não está apta a realizar atividades de enriquecimento [de urânio] — caso esse seja o objetivo pretendido”. “Seria necessária uma análise mais aprofundada da atividade diária para determinar o padrão operacional do local para além da sua atual configuração de canteiro de obras”, afirmou o CSIS.
O think tank afirmou que as características do complexo de Pickaxe dificultariam sua destruição mesmo com a utilização das chamadas bombas bunker-buster, como a GBU-57.
Embora ataques militares possam degradar ou desativar temporariamente a montanha Pickaxe, o bombardeio contínuo da infraestrutura nuclear iraniana é insustentável, o que evidencia a necessidade de uma solução diplomática verificável para o desafio nuclear do Irã”, disse o CSIS.
Fonte: Gazeta do Povo





