Servidores da Caixa e Banco do Brasil entram em greve por tempo indeterminado

Paralisação começa nesta quinta-feira (10) e tem como principal impasse o custeio dos planos de saúde dos funcionários
Por Guilherme Grandi
Servidores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10), após impasses nas negociações sobre o custeio dos planos de saúde. Na Caixa, a paralisação é nacional, enquanto no Banco do Brasil apenas parte dos funcionários decidiu cruzar os braços. O acordo coletivo dos bancários foi assinado na quarta-feira (9), com reajuste salarial acima da inflação para cerca de 500 mil trabalhadores, além de correção dos benefícios e pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O índice definitivo será divulgado na sexta-feira (11) e corresponderá ao INPC acumulado entre setembro de 2025 e agosto de 2026, acrescido de 0,6% de aumento real.
Durante a greve, os clientes devem recorrer aos canais digitais e demais alternativas de atendimento para realizar pagamentos e outros serviços bancários. A orientação sindical é que os bancos informem os clientes sobre as opções disponíveis. “A greve é um direito constitucional dos trabalhadores e não deve resultar em prejuízos aos clientes”, disse Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, em entrevista à Folha de S. Paulo.
Na Caixa, o principal questionamento se refere ao Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários e dependentes. Atualmente, o trabalhador paga 3,5% do salário-base e R$ 480 mensais por dependente, valor que sobe para R$ 800 no caso de dependentes entre 24 e 27 anos. A proposta apresentada pela Caixa elevaria a contribuição para 5,5% do salário-base, além de aumentar o valor mensal por dependente para R$ 870 e para R$ 1.050 nos casos de maior idade. A proposta foi rejeitada em 93 bases sindicais, enquanto outras 35 também recusaram o acordo, mas decidiram manter as negociações.
“A expressiva rejeição da proposta nas assembleias realizadas em todo o país demonstra que ela está muito distante das necessidades e das expectativas dos trabalhadores da Caixa”, ressaltou a dirigente sindical. A Caixa afirmou que mantém as negociações abertas com as entidades dos empregados e pretende renovar o acordo coletivo. O objetivo, diz o banco, é “construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas, com foco na valorização dos empregados, na sustentabilidade da instituição e na continuidade da prestação de serviços à sociedade”.
No Banco do Brasil, o impasse também envolve o plano de saúde, mas a paralisação não foi aprovada por toda a categoria. Dos sindicatos que realizaram assembleias, 39 aceitaram a proposta de aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro, 60 rejeitaram e decidiram continuar negociando e 27 aprovaram a greve.
Entre as bases que aderiram à paralisação estão Belo Horizonte, Bahia, Ceará e Piauí. Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis estão entre as que rejeitaram a proposta, mas optaram pela continuidade das negociações. O Banco do Brasil informou que participa das negociações nacionais conduzidas pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e mantém uma mesa específica para tratar das demandas de seus funcionários. Segundo a instituição, “foram realizadas várias rodadas de negociação, que resultaram na proposta apresentada às entidades sindicais e aprovada em diversas assembleias em todo o país”.
Além do reajuste, os bancários terão direito à PLR, calculada conforme o salário e o lucro de cada banco. O benefício de 2026 será pago até março de 2027, com antecipação prevista ainda neste mês, incluindo parcelas relacionadas ao salário e ao lucro registrado no primeiro semestre.
Fonte: Gazeta do Povo





