Polícia Federal aponta atuação de Augusto Lima em fraude bilionária com o BRB

Investigação da PF aponta influência de Augusto Lima em operações de cerca de R$ 12 bilhões e investiga relação com o senador
Por Gazeta do Povo Lab/Guilherme Grandi
Investigações da Polícia Federal revelam que o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e próximo ao senador Jaques Wagner, teria articulado operações fraudulentas de R$ 12 bilhões com o BRB. Os relatórios, divulgados após a quebra de sigilo da Operação Compliance Zero, detalham a produção de documentos falsos e a influência direta de Lima na gestão de créditos da instituição.
Qual é a principal suspeita da Polícia Federal contra Augusto Ferreira Lima?
A autoridade policial indica que Augusto Ferreira Lima exerceu influência direta em operações de crédito fraudulentas que somam aproximadamente R$ 12 bilhões entre o Banco Master e o BRB. Mesmo após deixar formalmente a sociedade do banco em maio de 2024, ele teria continuado a gerir documentos e contratos essenciais para a transferência de carteiras de crédito para o banco estatal. A suspeita é que essas operações tenham utilizado empresas para ocultar a origem real dos créditos e garantir a movimentação de montantes compatíveis com o tamanho da fraude investigada.
Como funcionava o esquema de fraude nas carteiras de crédito?
O esquema envolvia a produção em massa de documentos falsos para sustentar empréstimos que depois eram transferidos ao BRB. De acordo com a investigação, funcionários do banco selecionavam números de CPFs e falsificavam procurações de pessoas que nunca haviam contratado esses serviços. O relatório aponta que, quando clientes começaram a reclamar de dívidas desconhecidas, Lima teria determinado que amostras desses créditos não fossem enviadas para fiscalização, demonstrando um alto grau de ingerência e autoridade dentro da instituição financeira para evitar que as irregularidades surgissem.

Qual é a relação entre o senador Jaques Wagner e o empresário investigado?
A Polícia Federal identificou uma relação próxima e frequente entre o senador Jaques Wagner e Augusto Lima, com o registro de 74 ligações telefônicas totalizando mais de cinco horas de conversa entre o final de 2023 e meados de 2025. O senador é investigado por supostamente receber vantagens financeiras, como o uso de jatinhos, helicópteros e um apartamento de luxo, em troca de atuação política favorável aos interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Devido ao desgaste das investigações, o parlamentar chegou a deixar a liderança do governo no Senado Federal.
O que diz a defesa de Augusto Ferreira Lima sobre as acusações?
A defesa do empresário nega veementemente qualquer irregularidade e afirma que as acusações são baseadas em informações antigas que não se sustentam após meses de apuração. Os advogados destacam que Lima saiu da direção do Banco Master em maio de 2024, muito antes da operação policial ocorrer. Além disso, alegam que ele nunca negociou carteiras falsas com o BRB, não assinou documentos de cessão de crédito nem prestou informações falsas ao Banco Central. A defesa sustenta que os pagamentos recebidos por empresas ligadas a Lima referem-se a serviços efetivamente prestados.
Fonte: Gazeta do Povo


