Economia

Submarino nuclear brasileiro e míssil tático correm risco por conta da falta de recursos nas Forças Armadas

Falta de recursos ameaça dois dos principais projetos militares do Brasil: o submarino nuclear e o míssil tático de cruzeiro podem ser interrompidos por cortes no orçamento da Defesa

Por Fabio Lucas Carvalho

O submarino nuclear brasileiro e o míssil tático de cruzeiro estão entre os projetos estratégicos ameaçados pela falta de investimentos nas Forças Armadas. O alerta foi feito a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante reunião com os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. A escassez de recursos pode interromper o avanço de tecnologias de defesa desenvolvidas no Brasil.
Considerado o principal projeto da Marinha, o submarino nuclear brasileiro exige investimento contínuo. O programa inclui construção, testes e treinamento de pessoal qualificado. O corte no orçamento das Forças Armadas, no entanto, dificulta a continuidade das etapas planejadas. Com 91% do orçamento de 2025 comprometido com despesas obrigatórias, sobra pouco para iniciativas de pesquisa e defesa estratégica.

A paralisação do projeto afetaria não apenas a capacidade militar do país, mas também a indústria tecnológica nacional envolvida na empreitada. O míssil tático de cruzeiro é outro desenvolvimento afetado pela falta de previsibilidade orçamentária. Criado em parceria com empresas brasileiras, o armamento possui longo alcance e tecnologia nacional.

A iniciativa é vista como um avanço no fortalecimento da Defesa Nacional. Sem recursos suficientes, o cronograma pode ser suspenso, prejudicando testes, certificações e produção em escala. Isso compromete também o ecossistema de inovação do setor, que depende da continuidade de projetos de alta complexidade.

Durante a reunião no Palácio do Planalto, os comandantes defenderam a aprovação da PEC da Previsibilidade. A proposta prevê o aumento gradual do orçamento destinado à Defesa Nacional, vinculado ao Produto Interno Bruto (PIB). A meta é alcançar 2% em oito anos, índice recomendado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A medida garantiria recursos permanentes, mesmo em troca de governo.

O relator escolhido para o texto na Comissão de Constituição e Justiça do Senado foi o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso. Os números apresentados a Lula mostram que os investimentos atuais estão bem abaixo do necessário.

Só no caso do Exército, o valor embutido no Novo PAC deve atingir R$ 1,43 bilhão, mas o ideal seria R$ 1,95 bilhão. Nas despesas discricionárias totais, a demanda era de R$ 3,9 bilhões, mas o Congresso aprovou apenas R$ 2,2 bilhões.

A Aeronáutica também sofre com risco de aeronaves ficarem em solo por falta de combustível. Lula demonstrou preocupação com o cenário apresentado. Segundo informações apuradas, ele sinalizou que poderá revisar o orçamento da Defesa no segundo semestre.

A intenção é buscar uma solução para evitar o colapso de projetos estratégicos. A expectativa agora recai sobre o avanço da PEC da Previsibilidade e a retomada de investimentos em Defesa Nacional. Caso contrário, o Brasil pode perder anos de pesquisa, desenvolvimento e soberania em áreas críticas como o submarino nuclear brasileiro e o míssil tático de cruzeiro.

Fonte: Click Petróleo e Gás

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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