Harpia no Pantanal reforça importância da preservação para sobrevivência da maior águia das Américas

Registro incomum no Maciço do Urucum, em Mato Grosso do Sul, mostra presença da espécie em área onde o avanço humano prejudica habitats naturais
Por Nilson Cortinhas
Um encontro, considerado raro, emocionou pesquisadores e chamou atenção para a conservação das grandes aves de rapina brasileiras. Uma harpia (Harpia harpyja), considerada a maior águia das Américas e uma das mais poderosas do mundo, foi registrada no fim de janeiro em área florestal do Maciço do Urucum, próximo a Corumbá (MS), no Pantanal sul-mato-grossense. O flagrante foi feito pelo biólogo e ornitólogo Lucas Morgado, que encontrou a ave em estado de alerta, com as penas da cabeça eriçadas — comportamento típico diante de possíveis ameaças ambientais.
Eu fiquei muito emocionado, pois encontrar esse animal é o sonho de qualquer apaixonado por aves. Sou biólogo ornitólogo e essa foi a primeira vez que vi a harpia. Foi realmente mágico”, relatou ao G1 Mato Grosso do Sul. “Foi uma cena única. Ver a harpia ali, naquele cenário, foi algo que eu nunca vou esquecer”, concluiu o pesquisador.
Predadora
A harpia é classificada como quase ameaçada de extinção tanto na lista nacional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) quanto pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A espécie depende de grandes áreas contínuas de floresta para sobreviver, já que caça principalmente mamíferos arborícolas, como preguiças e primatas.
Com envergadura que pode ultrapassar dois metros e garras comparáveis ao tamanho das de um urso, a ave ocupa o topo da cadeia alimentar. Sua presença altera imediatamente o comportamento da fauna ao redor. “Ela é enorme e imponente. As aves da floresta literalmente se calam quando percebem a presença dela”, descreveu Morgado.
Sendo mais associada à Amazônia, registros da espécie no Pantanal são considerados incomuns. O avistamento ocorreu em uma região que combina remanescentes florestais com atividades econômicas, incluindo mineração.
Ecossistemas
A presença da harpia costuma ser interpretada por pesquisadores como um indicador ecológico de integridade ambiental, já que a espécie necessita de florestas maduras e disponibilidade de presas para se manter. “Se não me engano, foi um dos primeiros registros de harpia aqui na região do Pantanal. É muito difícil encontrar essa espécie por aqui. Ela é mais comum na Amazônia”, afirmou o ornitólogo ao G1.
Além do valor científico, o encontro também reforça o papel do monitoramento de fauna na identificação de áreas prioritárias para conservação em biomas sob crescente pressão climática e territorial.
Fonte: Um Só Planeta






