Lula diz que seu destino é “ser tetra” na eleição presidencial deste ano

Ele afirma que mandatos petistas são os únicos que governam para a totalidade da população, enquanto que outros visam apenas uma parte da sociedade
Por Guilherme Grandi
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta (1.º), que seu destino político imediato é ser eleito novamente para um quarto mandato, o que ele considera inédito na história da política brasileira. Ele concorrerá à reeleição em outubro junto do atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela oposição, além do governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) se apresentando como uma “terceira via”.
“Meu destino é ganhar as eleições pela quarta vez, o que será um fato inédito na história do Brasil alguém ser tetra numa eleição presidencial. Eu trabalho com a ideia fixa de que nós ainda não conseguimos arrumar a totalidade dos problemas do povo pobre desse país”, disse Lula em entrevista à TV Cidade de Fortaleza, onde cumpre agenda ao longo do dia.
Lula ainda citou que somente em governos do PT — em especial os seus mandatos — a economia cresce mais de 3% com distribuição mais ampla da renda, enquanto que outros partidos não alcançam esse patamar do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) e governam com vista a apenas 35% da população, e não a “100% dela”.
Críticas à “elite”
Ainda durante a entrevista, Lula voltou a criticar o mercado financeiro do país por, supostamente, querer que investimentos do governo sejam feitos apenas para uma parcela da população mais privilegiada, e não com o que considera uma distribuição para a totalidade.
“A elite brasileira, a Faria Lima lá em São Paulo (região da capital paulista tida como o coração do mercado financeiro brasileiro), gostaria que o dinheiro que eu gasto com ações sociais fosse pra eles, e não para o povo pobre”, disparou Lula.
O petista citou, ainda, indicadores financeiros que atestam o crescimento da massa salarial brasileira, o menor desemprego da história brasileira, entre outros, mas sem citar o endividamento recorde da população que chegou a 79% em fevereiro, com 81,7 milhões de pessoas inadimplentes. Foi um aumento de 38,1% em 10 anos.
“Estabilidade e previsibilidade”
Lula também destacou que, durante seu governo, preza pela estabilidade e previsibilidade de decisões, de que “ninguém será pego à 0h de surpresa com uma notícia de um pacote” econômico. “Tudo é feito à luz do dia”, afirmou citando o exemplo da reforma tributária, que passou a vigorar em transição neste ano.
Apesar de citar a previsibilidade de decisões sem “pacote econômico” na calada da noite, este terceiro mandato de Lula tem sido marcado por sucessivos aumentos de impostos ou novas medidas tributárias. Apuração recente desta Gazeta do Povo apontou que, desde o início desta gestão, o governo federal já editou 43 medidas arrecadatórias — uma a cada 27 dias, em média — para equilibrar as contas públicas mesmo com sucessivos recordes de arrecadação.
Dessas, 36 foram criações ou aumentos diretos de impostos, enquanto as demais envolvem propostas temporárias que perderam validade ou iniciativas de natureza não tributária, como mudanças em julgamentos de recursos fiscais. A mais impopular e que aparece em destaque em pesquisas de opinião pública sobre o desempenho do governo é a chamada “taxa das blusinhas”, que impôs uma taxação a compras internacionais abaixo de US$ 50.
Fonte: Gazeta do Povo






