Carta à moda antiga

Bom dia, Laura.
Peço que escuse o meu atrevimento e perdoe-me, também, por batizá-la com este doce pseudônimo. É que, em verdade, desconheço o seu real nome. 🌹 Não sei se o seu coração já tem dono ou se caminha distraída, entregue ao acaso e protegida pela própria leveza. Mas escrevo por necessidade da alma; registro cada palavra como quem se cura. Descobri, por meio de um amigo, que o papel acolhe as dores e ajuda a serenar os abismos do peito. Escrevo movido por uma força que o coração já não consegue calar. Preciso confessar-lhe este amor que floresce sem ser colhido, pois guardá-lo apenas em mim tornou-se um fardo demasiado doce. ✨Por favor, não se assuste nem se inquiete; longe de mim causar-lhe qualquer sombra. Fique em paz: o meu afeto é límpido, sublimado e gentil, e você não guarda culpa alguma por ele. Não se sinta no dever de retribuir ou de sequer responder a este sentir, que é só meu e que agora floresce em letras. ✍️Saiba que o meu amor é platônico, daqueles de cinema antigo, de versos esquecidos e de romances de teatro. Registro que a sua simples existência já é o meu maior consolo. Saber que você respira o mesmo ar traz-me alento e alegria; contemplá-la, ainda que ao longe, preenche-me de uma luz rara. 🎭Receba, pois, esta missiva de amor, esta carta à moda antiga, fruto de um desejo terno e fervoroso. Singela emoção que desabrocha da admiração por sua beleza, da alegria de viver e de sua aura serena.




