Igualdade distorcida

Imagina um mundo todo igual. Sem diferenças ou contrários. Tudo exatamente igual, sem nenhum contraste. Pense no quadro a seguir: ao chegar à padaria, encontraríamos, logo cedo, dezenas de sósias: cópias idênticas de nós mesmos. Alguns preparando os lanches, uns comprando, outros servindo e um igual a você no caixa, tudo numa homogeneidade absoluta. Cogite isso, somente a título de exercício mental. Ao chamar um Uber, seríamos atendidos por um motorista semelhante a nós. Ao chegarmos ao serviço, mais gêmeos. Em casa, todos iguais — inclusive os filhos e os cônjuges. Pense na possibilidade de todos agindo da mesma forma, usando as mesmas roupas e raciocinando do mesmo jeito, sem diálogo ou criatividade. Um eco sonoro e constante de nós mesmos. Uma marcha humana sem atritos ou diferenças. Uma busca cega e burra pela padronização simples e banal. Será que tal hipótese seria boa ou ruim? Seria instigante ou enfadonha? Imagine um mundo sem diversidade, sem divisões ou categorias. Tudo da mesma cor, tudo padronizado. Todos ouvindo a mesma música. Talvez a vida perdesse o contraste, a beleza e a complexidade. E nós, quem sabe perderíamos a nós mesmos, ou seja, a nossa individualidade. Quem sabe, afinal, a diversidade não seja um problema a ser resolvido, mas o que de fato nos mantenha humanos e curiosos. E você, conseguiria viver em um mundo assim?



