Ciência

Milhões de buracos negros podem estar escondidos no ‘submundo’ da Via Láctea

Simulações da Via Láctea indicam uma população invisível de buracos negros e mostram como suas origens ajudam a entender o Universo

Por Valdir Antonelli

Um novo estudo sugere que a Via Láctea pode abrigar uma população gigantesca de buracos negros invisíveis. Simulações realizadas por pesquisadores indicam a existência de cerca de 170 milhões desses objetos espalhados pela galáxia. A pesquisa criou um mapa provável desse “submundo galáctico”, revelando como esses buracos negros surgiram, onde podem estar e quais pistas podem ajudar astrônomos a encontrá-los no futuro.
Buracos negros de massa estelar são formados após a morte de estrelas muito massivas. Quando o combustível da estrela acaba, seu núcleo entra em colapso e cria uma região tão densa que nem a luz consegue escapar. Esse comportamento torna esses objetos extremamente difíceis de observar. Como os telescópios dependem principalmente da luz para estudar o Universo, muitos buracos negros permanecem escondidos.
Para estimar quantos deles existem, uma equipe liderada pelo astrofísico Tom Wagg, do Flatiron Institute, nos Estados Unidos, criou simulações da evolução da Via Láctea ao longo de seus 13,6 bilhões de anos de história. Os modelos acompanharam processos como nascimento de estrelas, explosões estelares, formação de buracos negros e mudanças na estrutura da galáxia. O resultado indica que a Via Láctea teria produzido aproximadamente 170 milhões de buracos negros de massa estelar ao longo de sua existência.
Apesar do número impressionante, os pesquisadores destacam que esses objetos estão muito dispersos. Na região onde fica o Sistema Solar, a estimativa é de um buraco negro a cada 6.250 parsecs cúbicos, uma área gigantesca do espaço. Os cálculos também mostram que esses objetos não permanecem necessariamente no mesmo local onde nasceram. Explosões de supernovas podem lançar os buracos negros recém-formados pela galáxia, criando uma distribuição diferente da observada entre as estrelas.

As simulações indicaram que:
● O disco de buracos negros é mais espesso que o disco de estrelas da Via Láctea;
● Os buracos negros mais leves tendem a viajar mais longe do plano galáctico;
● Explosões mais violentas podem dar maiores “empurrões” aos objetos recém-formados;
● A posição atual desses corpos guarda pistas sobre sua origem.

Buracos negros podem revelar o passado da galáxia
Segundo os pesquisadores, observar esses objetos no futuro pode ajudar a responder perguntas sobre como estrelas gigantes explodem e como os próprios buracos negros se formam. A massa e o movimento desses corpos podem funcionar como registros de eventos ocorridos há milhões ou bilhões de anos. Isso permitiria comparar diferentes modelos sobre explosões de supernovas e evolução galáctica.
Embora a maioria desses buracos negros continue escondida, novos levantamentos astronômicos poderão testar as previsões feitas pelas simulações. Se os dados observados confirmarem os cálculos, o chamado “submundo galáctico” poderá se transformar em uma espécie de arquivo cósmico, preservando informações sobre a história da Via Láctea.

Fonte: Olhar Digital

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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