Entenda como a casa bagunçada afeta o bem-estar
Pesquisas relacionam a desorganização doméstica a emoções negativas e menor satisfação com a vida
Por Amanda Ambrozio
Manter uma casa bagunçada pode impactar o bem-estar emocional e a percepção de conforto no dia a dia, mesmo quando o morador acredita ter se habituado ao ambiente. Um estudo, publicado no ‘Journal of Environmental Psychology’, feito pelo pesquisador Francis Quinn, associou a presença da desordem percebida a um aumento de sentimentos negativos e a uma menor satisfação com a própria rotina. Embora a pesquisa tenha sido realizada por meio de levantamentos transversais durante o período da pandemia, os dados indicam que o acúmulo de objetos atua de forma sutil na saúde mental, interferindo na relação que o indivíduo constrói com o próprio lar.
Juntamente às avaliações emocionais, o levantamento destacou o papel da beleza percebida do ambiente na manutenção do bem-estar diário. Moradores que avaliavam seus espaços como desagradáveis visualmente apresentavam níveis mais baixos de satisfação pessoal, reforçando que a estética valorizada individualmente auxilia no equilíbrio psíquico.
Pesquisas anteriores, como um estudo da Universidade da Califórnia que acompanhou adultos em suas residências, demonstraram que descrições de lares estressantes acompanharam alterações no padrão de cortisol — o hormônio do estresse — e piora constante do humor ao longo do dia.
O significado pessoal dos objetos e os limites das evidências científicas
Vale destacar que a tolerância à presença de objetos varia amplamente conforme a identidade, a cultura e as memórias de cada morador. O que parece excesso para uma pessoa pode representar acolhimento para outra, de modo que o impacto da casa bagunçada depende da frequência com que a disposição dos móveis e itens atrapalha o uso funcional do espaço.
Além disso, os pesquisadores ressaltam que a ciência demonstra correlações estatísticas, mas não estabelece diagnósticos ou promessas de que a simples arrumação dos cômodos cure problemas emocionais profundos. Por fim, compreender a relação entre o ambiente doméstico e os sentimentos ajuda a construir rotinas mais conscientes e confortáveis. Reavaliar o papel dos objetos no espaço físico é uma alternativa válida para cultivar um lar mais leve, acolhedor e funcional.
Fonte: Bons Fluidos




