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Pesquisas avançam sobre o uso do jatobá na alimentação e em bioquímicos

A árvore do jatobá leva de 10 a 12 anos para dar frutos, que têm sabor adocicado e odor marcante

Jatobá, em tupi, significa fruto de casca dura. Pois esse fruto que, à primeira vista, nem se parece com um, está ganhando uma cadeia produtiva no país. O jatobá é nativo do Brasil e está presente em cinco biomas do país — Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. É uma árvore imensa, com altura normalmente entre 15 e 30 metros, e cuja madeira é valorizada. Mas o jatobá também é uma PANC (planta alimentícia não convencional), e um projeto quer estimular seu uso na indústria de alimentos, na gastronomia e também no segmento de bioquímicos. O Projeto Jatobá é conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), liderados pela geógrafa Izabel Castanha Gil, do campus de Tupã, que tem como foco a organização da cadeia produtiva da fruta, ainda pouco explorada.

Mapeamos os possíveis pontos de coleta em cerca de 30 municípios do estado de São Paulo e já trabalhamos em parceria com grupos indígenas do Mato Grosso, que tradicionalmente coletam o jatobá. Paralelamente, trabalhamos para articular projetos de reflorestamento que incluam a fruta”, conta Izabel.

A iniciativa tem parcerias com universidades, para desenvolvimento de produtos, e com o Sebrae, para capacitação de empreendedores. A Unesp de Tupã e a Faculdade de Tecnologia de Marília estão na rede de pesquisas, além da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) do Estado de São Paulo também colabora.
Entre os produtos desenvolvidos pela rede estão farinha de jatobá (já usada na merenda escolar) e derivados de vinagre da casca, creme de jatobá com cacau e amendoim, mistura para bolo instantâneo, licor e xarope. “O desafio agora é encontrar parceiros capazes de dar escala à produção”, afirma Izabel.

Na área de panificação, a Faculdade de Tecnologia de Marília (Fatec Marília) desenvolve um fermento natural a partir da seiva do jatobá. O produto não contém glúten e é rico em cálcio, ferro, magnésio e fibras. Em outubro de 2025, a região de Adamantina, no Oeste paulista, foi reconhecida como cadeia produtiva local (CPL) pelo estado de São Paulo. Essa condição permite apoio e fomento à estruturação da cadeia, via parcerias e capacitação de produtores, coletores e empreendedores. Na cidade de Adamantina, uma queijaria desenvolveu um queijo trufado com creme de jatobá, cacau e amendoim, além de um queijo curado em licor de jatobá.
Há ainda uma parceria com pesquisadores de Porto Alegre para desenvolver um larvicida natural contra o Aedes aegypti a partir da resina do jatobá. O produto já está em fase de testes de campo. Paralelamente, estudos em bioquímica avançam na formulação de uma pomada cicatrizante, também à base da resina.

Atualmente, a produção de matéria-prima atende à fase experimental, mas a perspectiva de ampliação da demanda já mobiliza articulações com comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul”, diz a pesquisadora.

O jatobá também está sendo usado no reflorestamento por empresas voltadas à compensação ambiental, com a possibilidade futura de inserção no mercado de créditos de carbono. Até o momento, mais de 20 mil mudas de jatobá foram plantadas em propriedades privadas e áreas de reflorestamento de prefeituras da região, segundo o projeto. A árvore leva de 10 a 12 anos para dar frutos, que têm sabor adocicado e odor marcante. Uma vez produtiva, pode dar cerca de 200 quilos de frutos a cada dois anos, mantendo-se ativa por mais de um século.

Fonte: Abrafrutas

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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