Paleo & Arqueologia

Vila romana possivelmente ligada a imperadores é descoberta na Itália

Luxuosa vila romana descoberta fora das muralhas da cidade pode ter sido frequentada por imperadores como Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio

Por Éric Moreira

Uma escavação clandestina realizada nos arredores de Roma levou à descoberta de uma luxuosa vila romana até então desconhecida pelos arqueólogos. Segundo a Superintendência Especial de Roma, os vestígios encontrados em Castel di Guido, a cerca de 19 quilômetros a oeste das antigas muralhas da capital italiana, indicam que a propriedade pode ter pertencido a integrantes da aristocracia romana e, possivelmente, a membros da família imperial Antonina.
A descoberta ocorreu após autoridades serem informadas, em fevereiro, sobre atividades de escavação não autorizadas em um terreno público. De acordo com o Ministério da Cultura da Itália, os responsáveis utilizaram uma retroescavadeira, provocando cortes profundos na estrutura antiga e formando grandes montes de terra na área. Diante da situação, arqueólogos liderados por Alessia Contino iniciaram uma intervenção de emergência para registrar e preservar os elementos arquitetônicos do local.

Graças à denúncia local e à intervenção imediata, foi possível identificar parte de uma grande vila imperial, até então desconhecida, e descobrir uma esplêndida variedade de decorações, bem como uma estátua de belo mármore branco”, disse Contino em comunicado.

As escavações revelaram o átrio principal da residência, além de salas decoradas com afrescos e mosaicos, bem como espaços associados às atividades agrícolas da propriedade. Os pesquisadores acreditam que a construção tenha sido erguida no início do século I e abandonada por volta do século III.
Entre os elementos mais bem preservados está o implúvio central do átrio, uma bacia destinada à coleta da água da chuva. A estrutura era cercada por mosaicos em preto e branco com motivos botânicos e geométricos. Parte das paredes também conserva afrescos em tons vermelhos, com painéis multicoloridos que apresentam figuras humanas e elementos vegetais. Ao redor da área principal foram identificados quatro cômodos menores. Três deles mantêm pisos de mosaico com diferentes padrões geométricos, incluindo painéis retangulares, octogonais e composições em preto e branco, repercute o Live Science.
Outro destaque da descoberta foi uma estátua fragmentada de cerca de 80 centímetros de altura, encontrada dentro da bacia central. A peça representa um homem barbudo vestido com uma túnica curta e carregando uma cesta com frutas e pássaros. Segundo os arqueólogos, a escultura pode retratar Silvano, divindade romana associada às florestas, às áreas rurais e à proteção dos rebanhos.

Mosaico e estátua de Silvano descobertos em antiga vila romana (Foto: Divulgação/Ministério da Cultura da Itália/Superintendência Especial de Roma)

A região onde a vila foi encontrada era conhecida na Antiguidade como Lorium e era frequentada por importantes figuras da Roma imperial, entre elas AdrianoAntonino Pio e Marco Aurélio. Fontes antigas indicam que Antonino Pio passou parte da infância na localidade, construiu ali um palácio imperial e morreu em Lorium aos 74 anos.
Para os especialistas, a dimensão da residência e a qualidade de seus elementos decorativos reforçam a hipótese de que seus proprietários pertenciam à elite romana. A forte ligação da área com a dinastia Antonina faz com que a nova descoberta seja considerada particularmente relevante.
Mas a vila recém-descoberta “é outra peça importante do quebra-cabeça”, disse Contino, “abrindo novas perspectivas para a compreensão e preservação de nosso território rico em história”. Novos estudos devem ajudar a definir com mais precisão a cronologia da construção e esclarecer se o abandono da propriedade esteve relacionado à transferência da família imperial para outras regiões. Enquanto as pesquisas continuam, a Superintendência Especial de Roma prevê abrir o local ao público em 20 de junho, por meio de uma caminhada arqueológica gratuita e visitas guiadas.

(Foto de capa: Divulgação/Ministério da Cultura da Itália/Superintendência Especial de Roma)

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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