Borboletas tropicais podem viver até três vezes mais que espécies aparentadas, revela estudo
Pesquisa aponta que integrantes do gênero Heliconius estão entre as borboletas mais longevas já registradas na natureza
Por Mariana Lima
Borboletas do gênero Heliconius podem viver até três vezes mais do que espécies aparentadas, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (16). A pesquisa revelou que alguns desses insetos conseguem sobreviver por quase um ano, tornando-se algumas das borboletas mais longevas já registradas pelos cientistas. De acordo com os pesquisadores, indivíduos do grupo foram observados vivendo por pelo menos seis meses na natureza. O período chama a atenção porque outras espécies da tribo Heliconiini costumam sobreviver cerca de seis semanas após atingirem a fase adulta. A descoberta ajuda a ampliar o conhecimento sobre os mecanismos biológicos relacionados ao envelhecimento dos insetos e pode abrir caminho para novas pesquisas sobre longevidade animal.
Apesar dos resultados, os cientistas ainda não conseguiram determinar exatamente quais fatores explicam a vida excepcionalmente longa dessas borboletas. Uma das principais hipóteses levantadas pela equipe é o hábito alimentar diferenciado do gênero Heliconius. Ao contrário de muitas outras espécies de borboletas, esses insetos se alimentam de pólen durante a fase adulta. Segundo os pesquisadores, esse comportamento pode estar relacionado ao aumento da expectativa de vida, embora sejam necessários novos estudos para confirmar a ligação direta entre a alimentação e a longevidade observada. A investigação foi liderada pela pesquisadora Jessica Foley e reuniu diferentes tipos de dados para construir um panorama mais completo sobre o ciclo de vida dessas borboletas.
Para chegar às conclusões, os cientistas combinaram informações obtidas em borboletários, estudos de marcação, soltura e recaptura de indivíduos na natureza, além de experimentos realizados em insetários. A análise conjunta desses dados permitiu comparar a sobrevivência das borboletas do gênero Heliconius com a de espécies aparentadas. Os resultados mostraram que os indivíduos estudados apresentam taxas de mortalidade mais baixas ao longo da vida. Além disso, o processo de envelhecimento ocorre de forma mais lenta quando comparado ao observado em outros membros da mesma tribo.
Segundo os autores, as características identificadas tornam as borboletas do gênero Heliconius um modelo promissor para estudos sobre envelhecimento. Os pesquisadores destacam que o grupo pode ajudar a compreender como mudanças ecológicas e comportamentais influenciam a longevidade dos animais. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature e reforça o interesse da comunidade científica em entender por que algumas espécies conseguem viver muito mais tempo do que seus parentes mais próximos, mesmo compartilhando diversas características biológicas.
Fonte: Aventuras na História



