Economia

Fim da escala 6×1 pode encarecer ônibus, coleta de lixo e outros serviços públicos em todo o Brasil

A proposta que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e extingue a escala 6×1 pode ter reflexos diretos no bolso dos brasileiros. Entidades que representam empresas de transporte, limpeza urbana, segurança privada e saúde já alertam para aumento de custos operacionais, o que poderá resultar em reajustes de tarifas, contratos públicos mais caros e maior pressão sobre os cofres de estados e municípios.
A PEC, aprovada pela Câmara dos Deputados e atualmente em análise no Senado, estabelece uma transição para a jornada de 40 horas semanais e torna obrigatória a escala 5×2 para milhões de trabalhadores. O setor que mais rapidamente sentirá os efeitos da mudança pode ser o transporte coletivo urbano. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima que a redução da jornada elevará os custos operacionais das empresas e poderá provocar um aumento entre 6% e 8% nas tarifas de ônibus em diversas cidades do país.
Segundo os cálculos da entidade, para manter a mesma quantidade de viagens e atender a demanda diária de passageiros, as empresas precisarão contratar mais motoristas ou ampliar o pagamento de horas extras. Em uma simulação realizada pela NTU, os gastos com folha salarial aumentam entre 13% e 15%, impactando diretamente o valor das passagens.
Parte desse aumento poderá ser absorvida pelas prefeituras por meio de subsídios. Porém, onde não houver capacidade financeira para compensar os custos adicionais, a tendência é que o reajuste seja repassado ao usuário do transporte público.
A preocupação também se estende aos contratos de coleta de lixo, limpeza urbana, vigilância, merenda escolar e manutenção de serviços públicos. Como a maior parte desses trabalhadores é contratada por empresas terceirizadas, a redução da jornada exigirá renegociação de contratos e aumento dos repasses feitos pelas administrações municipais e estaduais.

Na área da saúde, hospitais e Santas Casas alertam para o risco de aumento das despesas com contratação de profissionais e pagamento de horas extras. Estudos do setor apontam que os custos trabalhistas podem subir entre 3,4% e 8,4%, especialmente em atividades que funcionam 24 horas por dia. Empresas de segurança privada também projetam forte impacto financeiro. A Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) calcula que os custos poderão aumentar até 20%, afetando contratos firmados com órgãos públicos e empresas privadas.
Diante desse cenário, o texto aprovado pela Câmara prevê uma regra de transição para evitar a interrupção de serviços essenciais. Contratos de concessão, terceirização e parcerias público-privadas poderão ser revisados em até 12 meses após a eventual promulgação da emenda constitucional. Embora defensores da proposta argumentem que a redução da jornada trará mais qualidade de vida aos trabalhadores, entidades empresariais alertam que a medida terá impacto financeiro significativo sobre empresas, governos e consumidores. No caso do transporte público, a consequência mais imediata poderá ser o aumento da tarifa de ônibus, justamente em um momento em que milhões de brasileiros já enfrentam dificuldades com o alto custo de vida.

Fonte: Hora Brasília

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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