Garoa fria

Eu ando à toa
pelas calçadas novas
da antiga via de minha
pacata vila.
Eu contemplo, silente e sozinho,
ao vivo e em cores algumas aves
raras e inúmeras flores multicoloridas.
Caminho ao léu,
sem destino final ou compromisso.
Trafego a pé, pelo simples prazer de ser,
de observar a bela natureza e de me
sentir vivo como nunca.
Agora, mesmo a contragosto, aperto
o passo, pois uma garoa fina e fria,
tocada por ventos fortes e uivantes,
se aproxima.
Ameaçadora,
ela promete congelar todos os meus ossos
até que eu retorne ao meu esconderijo.
Penso e caminho, ando e reflito sobre o mundo e sobre a vida.
Faço um poema do nada, canto e assovio.
O ar puro enche o meu velho peito e por
este milagre eu sou grato.
Filosofo, cogito, acelero o passo…
E indago sobre o verdadeiro sentido da vida.





