À margem

À margem de tudo,
eu vejo passar
o caudaloso rio da vida.
As suas águas fluem
vibrantes como as
paixões e os amores
do mundo.
A correnteza carrega
folhas caídas, coisas
aleatórias e antigas,
além de pedaços de
objetos quebrados,
nacos de memórias
que contam histórias
vividas.
A água doce contorna
suave os obstáculos do
trajeto talhado no leito
vivo do rio
Ela segue firme e impoluta,
fazendo voltas e contornos
em direção ao mar absoluto
do espírito
O rio valente busca meio
que inconsciente a imensidão
do mar aberto onde pretende,
em silêncio, morrer pleno,
desaguando de amor





