Cultura

Desatracar

O barco
mal solta-se do porto
e a saudade já o consumia.

A paixão
ainda ardia no peito,
apesar da decisão irrevogável
de partir, de lançar-se nas ondas
das incertezas da vida.

Era chegada a hora
Era preciso desatracar

Era preciso soltar as amarras
e enfrentar de peito aberto
o mar bravio da vida.

Deixar a zona de conforto
Sair do ninho em busca
de aventuras próprias.

Cortar o cordão umbilical
e caminhar com as próprias pernas.

Ser enfim, o protagonista da história,
conhecer o mundo e os amores.

Experimentar o doce e o amargo
da longa taça da vida e voltar
para casa com o alforje repleto
de causos e aventuras para contar.

Mário Vieira

Capixaba, casado, autor e advogado

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