Mineração Transporte, Infraestrutura & Logística

Alta do frete marítimo leva Itaminas a conceder férias coletivas a 300 funcionários

Medida atinge principalmente trabalhadores da planta de beneficiamento e ocorre diante da elevação dos custos para exportação de minério de ferro

Por Tamires Oliveira

A escalada do frete marítimo para o transporte de minério de ferro levou a Itaminas a adotar medidas de ajuste operacional e conceder férias coletivas a cerca de 300 funcionários. A maior parte dos trabalhadores afetados atua na planta de beneficiamento da mineradora, que possui operações em Sarzedo e Brumadinho (MG). A companhia já mantém estoques equivalentes a aproximadamente um mês de produção. Com as condições de mercado desfavoráveis e a limitação da capacidade de armazenamento, a empresa decidiu suspender parte temporariamente das atividades produtivas.
A Itaminas possui capacidade anual de aproximadamente nove milhões de toneladas de minério de ferro e direciona cerca de 90% desse volume para exportação. Até agosto, a produção acumulada em 2026 havia alcançado aproximadamente 6,2 milhões de toneladas. O principal fator de pressão é o aumento do custo do transporte marítimo na rota entre o Brasil e a China. No início de setembro, o frete Capesize entre Brasil e Qingdao alcançou US$ 40,72 por tonelada e chegou a US$ 41,55 por tonelada em 4 de setembro. O valor representa um aumento de aproximadamente 70% em relação à média registrada na mesma época de 2025.
Com o minério de ferro negociado próximo de US$ 100 por tonelada, o transporte marítimo passou a consumir uma parcela significativa do valor da commodity. Para mineradoras de médio porte, com maior exposição ao mercado externo e menor escala logística, o impacto sobre as margens tende a ser mais relevante.

Itaminas depende do mercado externo
A Itaminas utiliza o Porto Sudeste, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, para exportar sua produção. O aumento do frete, portanto, afeta diretamente o resultado obtido com as vendas internacionais. Segundo dados divulgados, o custo de produção da companhia varia entre US$ 21 e US$ 23 por tonelada. A elevação do transporte marítimo ocorre em um momento em que o preço do minério está em torno de US$ 100 por tonelada, comprimindo a margem disponível depois dos custos de logística.
A pressão sobre o setor também já levou a Usiminas a interromper temporariamente as atividades da planta de Samambaia, em Itatiaiuçu (MG), unidade responsável por aproximadamente 30% a 35% da produção mineral da companhia. A decisão foi relacionada ao cenário de preços mais baixos do minério e aumento do frete marítimo.

Expansão continua no radar
Apesar do ajuste operacional, a Itaminas vinha mantendo uma agenda de investimentos. Em junho, a companhia informou que pretendia aplicar R$ 150 milhões a R$ 200 milhões em 2026 para aumentar a produção e melhorar o teor do minério produzido em Sarzedo. O investimento integra um plano de R$ 1,5 bilhão até 2033.
A empresa também protocolou, em 10 de setembro, pedido à FEAM para ampliar as estruturas de disposição de rejeitos e estéril do complexo da Mina do Engenho Seco. O projeto inclui ainda a ampliação do beneficiamento a seco, com uma unidade móvel adicional estimada em 3 milhões de toneladas anuais de capacidade. O movimento indica que, enquanto os custos de exportação pressionam a operação no curto prazo, a Itaminas segue trabalhando em projetos de expansão e aumento de capacidade para o médio e longo prazo.

Fonte: Revista Mineração

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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