Cultura Educação

EAV amplia contato dos alunos com a arte em mostra de José Carlos Vilar

Exposição reúne cinco esculturas do artista capixaba no EAV Garden a partir de setembro e envolve estudantes em diferentes etapas do projeto

Por Assessoria

A arte ganha novos espaços de circulação e diálogo na Escola Americana de Vitória (EAV), que prepara uma exposição com seis esculturas do artista capixaba José Carlos Vilar no EAV Garden, no Campus Aeroporto, em Vitória. A mostra está aberta à comunidade escolar desde 1.º de setembro e permanecerá em cartaz por dois meses. Além da comunidade escolar, a exposição também poderá ser visitada pelo público externo, gratuitamente, às sextas-feiras, das 16h às 18h, mediante inscrição prévia pela plataforma Sympla.
Mais do que apresentar trabalhos, a iniciativa propõe aproximar os estudantes dos processos de criação e dos próprios artistas, colocando-os em contato direto com diferentes formas de pensar e produzir arte. Reconhecido pela trajetória dedicada à escultura e pelo trabalho com ferro e aço (carbono e corten), Vilar é uma referência da produção artística capixaba. Nascido em Vila Velha, iniciou sua formação no Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde lecionou escultura por 35 anos e também ocupou os cargos de diretor e vice-diretor.
No início de sua carreira produziu, sobretudo, bustos e peças figurativas, utilizando materiais como gesso, ferro e madeira. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu uma produção marcada pela abstração, geometrização e exploração das possibilidades do metal, criando desde obras monumentais até peças de maior delicadeza. Uma das principais características de suas esculturas é a relação do material com o tempo, conferindo à obra certa efemeridade quanto a materialidade, exposta à ação do tempo e intempérie de forma aparente. Suas referências são encontradas em elementos da natureza, de memórias e vivências.

(Foto: Divulgação)

Na EAV, sua presença já faz parte do cotidiano dos estudantes. Uma de suas esculturas foi criada em aço corten para marcar a pedra fundamental do Museu da Identidade Capixaba (MIC). Agora, outras seis obras passam a integrar temporariamente o ambiente escolar, criando novas possibilidades de observação e interpretação.
A exposição também envolve diretamente os alunos do Clube de Artes da EAV, o grupo visitou o Atelier Vilar para conhecer de perto a trajetória do escultor e acompanhar seu processo criativo. A experiência será ampliada durante a mostra: os estudantes atuarão como monitores, compartilhando com outros alunos o conhecimento adquirido durante a preparação do projeto. Uma das alunas do 10.º ano também fará assistência de curadoria, colaborando na montagem e na elaboração de um texto curatorial sobre a exposição. Para Flávia Dalla, curadora de arte e consultora do EAV Art Center, esse envolvimento transforma os estudantes em participantes ativos da experiência artística.

A proposta é levar a arte para o cotidiano dos alunos e mostrar que uma obra nunca se esgota em um único sentido. Nós não somos os mesmos diante de uma obra, porque cada encontro pode provocar novas perguntas e diferentes leituras. Quando os estudantes participam da construção de uma exposição, conhecem o artista, acompanham seu processo e compartilham esse conhecimento com os colegas, ocupam um lugar de protagonismo nessa experiência”, afirma.

(Foto: Divulgação)

Do acervo para o encontro com o artista
A proposta de aproximar os alunos dos artistas que integram o acervo da escola também esteve presente na visita do artista visual Ramon Álvaro, conhecido como Bee Boy, à EAV. Dono de uma produção marcada por cores vibrantes, figuras humanas, elementos da natureza, simbolismos e ancestralidade, ele participou de uma programação com estudantes do 10º ano e do Clube de Artes. O encontro foi uma oportunidade para conhecer sua trajetória, suas referências e as motivações que estão por trás de suas pinturas.
Artista autodidata, a relação de Ramon com a pintura começou em 2020, em meio ao isolamento social provocado pela pandemia de covid-19. O que começou como uma forma de expressão se tornou parte importante de sua identidade e de sua trajetória profissional. Durante a conversa, ele também falou sobre sua vivência na periferia e sobre a forma como utiliza a figura da abelha, que dá origem ao nome artístico, como símbolo de um agente polinizador, capaz de disseminar mensagens positivas em contextos frequentemente associados à vulnerabilidade.

Formado em Letras, Bee Boy também estabelece uma relação próxima entre literatura e artes visuais. A natureza é um dos elementos presentes em sua produção, que também retrata pessoas negras e busca ampliar a representação de uma população historicamente pouco presente na pintura. Segundo Flávia, o uso de fundos vibrantes e contrastantes contribui para deslocar o olhar do espectador e criar novas possibilidades de leitura sobre as figuras representadas.
Depois da conversa, os estudantes apresentaram suas próprias interpretações sobre as obras do artista. Em uma aula de Língua Portuguesa com o 8.º ano, os alunos leram textos que haviam produzido a partir da observação de trabalhos de Bee Boy, que compartilhou suas impressões sobre as produções. A programação terminou com um momento de convivência, quando estudantes mostraram seus próprios desenhos e conversaram com o artista.
“Ouvir o artista falando sobre sua trajetória, suas referências e seu processo criativo muda a maneira como olhamos para uma obra. No caso do Bee Boy, foi especialmente interessante perceber essa relação entre pintura, literatura e escrita e acompanhar os alunos fazendo perguntas, apresentando suas interpretações e mostrando seus próprios trabalhos”, destaca Flávia.
Para a curadora, experiências como essa ultrapassam o campo artístico e têm um papel importante na formação dos jovens. “A arte cria repertório, amplia a visão de mundo, nos estimula a formular perguntas e expande nossa capacidade de imaginar. Tudo isso contribui para formar jovens mais atentos, sensíveis e capazes de transformar os espaços que habitam”, completa.

Serviço
Exposição José Carlos Vilar
Período: 01/09 a 30/10
Local: Escola Americana de Vitória – EAV Garden, Campus Aeroporto (Av. Roza Helena Schorling Albuquerque, 1600, em frente ao Aeroporto, Vitória)
Visitação do público externo: às sextas-feiras, das 16h às 18h / entrada gratuita, mediante inscrição prévia pela plataforma Sympla 

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *