A criatura

Em uma madrugada, em meio a um pesadelo horrível, eu despertei com uma voz me chamando. Ao abrir os olhos, vi nitidamente no meu quarto uma criatura horrível. Ela era uma mistura de seres; no seu corpo, partes de animais: as pernas de aranha, a cabeça de bode com longos chifres e parte do tórax era humano, possuía mais de um metro e oitenta de altura. Em seus olhos, uma chama vermelha. Fiquei paralisada, não conseguia mexer nenhuma parte do meu corpo; eu tentava gritar, porém não havia voz. Eu estava dominada por alguma força. A criatura abriu uma gaveta do meu armário, entrou e desapareceu diante dos meus olhos. Só então retornei da paralisia e pude respirar; o choque foi tão intenso que gritei de pavor. Meu marido acordou assustado e buscou me confortar, mas, pelo resto da noite, eu não pude dormir nem por um segundo.
Na década de 90, recebi um presente, nada especial teoricamente, contudo o que ocorreu me fez despertar para um perigo até então desconhecido. O Natal se aproximava e a festa da empresa havia sido em um clube. Todos os funcionários compareceram, trocamos os presentes do amigo secreto, mas uma colega de trabalho levou presentes para todos. Eram meias na maioria deles, mas, no meu caso, recebi meias e uma blusa fina com um tecido macio e agradável. A noite era de festa; todos fomos gratos a ela e comemoramos com uma grande família. Ao chegar em casa, guardei os presentes no meu armário. Estava cansada e nem me importei em colocar para lavar. Apenas guardei.
A partir do primeiro dia, as brigas se iniciaram no meu lar, conflitos mesquinhos e sem relevância, porém eram motivos de discórdias constantes entre eu e meu marido. Comecei a perceber uma energia diferente ao redor, principalmente no meu quarto. Na segunda semana, inúmeros pesadelos me fizeram perder a paz noturna, perdi a luz divina, tudo começou realmente a virar um caos. Foi quando percebi haver de certo um ataque espiritual em minha vida. Eu era muito jovem, até um pouco cética às vezes. Entretanto, iniciei uma campanha com orações intensas, e o único propósito era a visão do que estava ocorrendo realmente na minha espiritualidade. Contudo, o contato sobrenatural que presenciei me fez tomar uma atitude: na manhã seguinte, eu fui até o meu armário e abri a parte onde a criatura entrou; o meu corpo oscilava e tremia. Apesar do medo, eu soube que aquilo foi a visão que solicitei para ter; foi a revelação para a minha cura espiritual. Ao procurar naquela gaveta, eu encontrei o presente que havia recebido. Naquele instante, eu soube e agradeci a Deus por me mostrar. Imediatamente eu o retirei da minha casa e, em oração, eu o queimei bem no canto do meu quintal. A partir daquela ação, o meu lar voltou a ser meu, a paz retornou em sono tranquilo. O mal lançado muitas vezes vem disfarçado e repleto de boas intenções.




