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Cultura

Alma viajora

Sócrates dizia,Com propriedade,Que o homemÉ a sua alma Ele afirmava,Com coragemE veemência,Que o homemNão é o seu corpo,Nem tampoucoAs suas medalhas,Vestes ou posses Dizia, ainda,O célebre filósofoDa antiguidade,Que o homem nãoÉ o seu braço ouA sua perna, tambémNão o seu peito,O seu coração ouO
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Marcas

Eu já ouço,De longe, oSom abafadoDos seus passosNa escada Eu já possoOuvir o chiadoDa chaleiraNo fogo que ardeCompulsivamente Eu já sinto atéO cheiro doceDo perfumeEspraiado aoLongo do quarto Eu pressinto,De longe, oGosto do beijoNos lábiosMolhados Eu vislumbro,Daqui, a portaDo quartoEntreaberta eUma luz tênueE fosca tentandoIluminar a cena A imagemÉ bela,PromissoraE
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Tudo flui

A vida passaPor mim comoAs águas do rioQue fluem emBusca do mar Nada é igualComo era antesE, às vezes, atéEu mesmo meEstranho, nemEu mesmo jáMe reconheço Eu já não souMais o mesmoComo dantes eO que antes eraO fim, hoje éSomente maisUm começo O mundoÉ uma bolaQue gira emTorno de si eQue está emConstanteMudança eEbulição Tudo […]
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O trem da vida

Pelos velhos trilhosCansados da estradaAntiga, eis que surge,Radiante, um novoTrem da história Ele imprime comoNunca uma novaVelocidade e aceleraSem poluir,Ele apita anunciandoQue o sol nasceu maisUma vez na estrada nova Ele traz, em sua cabine,Uma nova tecnologiaCada vez mais avançada Em seus vagões eleTransporta gente novaCom outra mentalidade,Alguns dizem que
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A espera

Ouço ao longeRuídos abafados,Sons diminutosE passos apressados Vejo ao largoUm excesso deNuvens, mais umArco-íris formadoE uma revoadaDe pássaros Sinto de leveO aroma dasFlores, o cheiroDo café coadoNo bar ao lado,Enquanto curtoO resto do seuPerfume queFicou no carro Toco nervosoO copo de rum,Enquanto tentoAcender maisUm charuto cubano Folheio aflitoUm livro antigoDe
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Sinais

Haverá sinaisTênues e suavesFinos e singelos Haverá rastros,E marcasProfundas porTodos os lados Haverá pistas,Indícios, semiprovas,Mostras e vestígiosPor todos os cantosE recantos doNosso mundo De certo queHaverá rosasE espinhos,Manchas,Sombras,Sangue, suorE lágrimasPelo caminho Mas, acimaDe tudo haveráEm toda parteIndicativosSeguros e provasIrrefutáveis doMeu grande
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Tabelas

Ando pelas beiras,Ruas e vielas daAlma, viajo pelosGuetos, becos eFavelas do espírito Sigo pelos atalhosÍngremes do mundo,Atravesso desertos eMares bravios, nãoAndo nu, nemVestido, mas meCubro de retalhos Caminho só e emPerpétuo silêncio,Deslizo entre vias eEsquinas da terra,Vago a esmo entrePerguntas e respostasQue acho que jamaisSerão respondidas Mesmo assim, euBusco
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A pena

A pena leveE a folha emBranco sempreMe desafiaramSempreInstigaramO meu espírito A penaLeve e afoita,Aflita emEscreverContos eAnsiosa emRevelarMemórias A folhaEm brancoVazia eLacunosaCheia deDesejo emSer vazada,Em ser, enfim,Preenchida A penaE a folhaSempre seEncontraramE se completaramNa minha frente Falando muitoSem dizer nada,Esperando com féO concurso daMão hábil
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Um lindo dia

Mais um lindo diaSe descortina entreAs retinas atônitasDos meus acanhadosOlhos Gotas e mais gotasDe chuva se precipitamDas árvores molhadas,Como se quisessem lavarAs almas dos homensQue ainda dormem Um belo espetáculoNatural que se repetePor séculos e séculosInfindos e inesgotáveis Raios de sol rasgamO véu da manhãAnunciando a alegriaDe um novo dia queSe inicia E eu se