A Semana no Brasil e no Mundo — Senado rejeita Jorge Messias ao STF em derrota histórica para Lula

O Senado Federal rejeitou, na quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. A decisão marca um revés político relevante para Luiz Inácio Lula da Silva, que articulava a aprovação após meses de resistência no Congresso. Para ser confirmado, o indicado precisava de ao menos 41 votos no plenário — número que não foi alcançado em votação secreta.
A rejeição ocorre após um processo prolongado de negociação. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) durou cerca de oito horas e terminou com aprovação apertada (16 votos a 11), sinalizando desde então um cenário adverso no plenário. Nos bastidores, o governo estimava contar com cerca de 45 votos favoráveis, enquanto a oposição trabalhava com um bloco expressivo contrário, ampliando a incerteza sobre o resultado final.
Desde a indicação, em novembro do ano passado, o nome de Messias enfrentava resistência, inclusive dentro do próprio Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, defendia alternativas como o senador Rodrigo Pacheco para a vaga. Diante do risco de derrota, o Palácio do Planalto retardou o envio formal da indicação, que só foi oficializada em abril, numa tentativa de ganhar tempo e consolidar apoio político — esforço que acabou frustrado.
Trata-se de um episódio raro na história institucional brasileira. O Senado não rejeitava um indicado ao STF há mais de um século — as últimas recusas ocorreram ainda no governo de Floriano Peixoto, no fim do século XIX. Messias era o terceiro nome indicado por Lula neste mandato, após as aprovações de Cristiano Zanin e Flávio Dino. Com a rejeição, caberá ao petista apresentar um novo indicado para a vaga na Suprema Corte. (Fonte: Hora Brasília)
Imprensa internacional repercute rejeição a Messias no Senado: “dura derrota para Lula”

Por Fábio Galão
A imprensa internacional repercutiu a votação no Senado realizada na quarta-feira (29) e na qual foi rejeitada a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 34 votos favoráveis à indicação, 42 contrários e uma abstenção. Eram necessários, no mínimo, 41 votos favoráveis para que a indicação feita por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fosse aprovada. O jornal argentino Clarín destacou que Messias “é o primeiro indicado ao Supremo Tribunal Federal rejeitado pelo Senado em mais de cem anos” — a última vez que isso havia ocorrido havia sido em 1894.
Esse revés representa uma dura derrota para Lula e uma vitória para a oposição, representada pelo senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro”, acrescentou o periódico da Argentina.
A agência espanhola EFE afirmou que, “após o anúncio do resultado, a oposição de direita e centro-direita, que controla o Legislativo, comemorou a vitória com gritos de ‘Rejeitado, rejeitado!’”.
Lula mantém relações tensas com o Legislativo e levou cinco meses para iniciar o processo de votação, a fim de permitir tempo para longas negociações que, no fim, se mostraram infrutíferas”, acrescentou a EFE.
A Reuters disse que a rejeição de Messias representou uma “dura derrota” para Lula. “A indicação de Messias enfrentou oposição de senadores alinhados ao ex-presidente de direita Jair Bolsonaro e de alguns parlamentares próximos a[o presidente do Senado, Davi] Alcolumbre, que havia apoiado o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para o cargo”, afirmou a agência britânica.
A Associated Press, por sua vez, disse que a votação de quarta-feira traduz a relação conturbada de Lula com o Legislativo, ao demonstrar “que o veterano líder não é popular entre muitos parlamentares importantes em sua busca pela reeleição”. “O presidente do Brasil terá que indicar outra pessoa, que passará pelo mesmo escrutínio antes de uma nova votação no Senado”, afirmou a agência americana. (Fonte: Gazeta do Povo)
Governo central registra rombo recorde de R$ 73,7 bilhões em março

As contas do governo central — que incluem Tesouro Nacional, Banco Central do Brasil e Previdência — registraram déficit primário de R$ 73,7 bilhões em março de 2026, o pior resultado para o mês desde 1997. O dado, divulgado no Relatório do Tesouro Nacional, evidencia uma deterioração fiscal relevante mesmo diante de crescimento da arrecadação.
A comparação anual expõe a mudança de cenário: em março de 2025, havia superávit de R$ 1,5 bilhão. Agora, o resultado negativo reflete uma combinação de aumento expressivo de despesas e incapacidade da receita de acompanhar o mesmo ritmo. Em termos reais, a arrecadação líquida cresceu 7,5%, enquanto a despesa total disparou 49,2% no período.
No acumulado de 12 meses, o déficit atinge R$ 136,5 bilhões, equivalente a 1,03% do PIB. Embora o primeiro trimestre de 2026 mostre melhora frente ao mesmo período do ano anterior — déficit de R$ 17 bilhões contra R$ 54 bilhões em 2025 — o desempenho mensal pressiona o cumprimento da meta fiscal. A decomposição do resultado revela o peso estrutural da Previdência: foram R$ 49 bilhões de déficit no sistema, enquanto Tesouro e Banco Central responderam por outros R$ 24 bilhões negativos. Ou seja, o desequilíbrio segue concentrado em despesas obrigatórias, de difícil ajuste no curto prazo.
Do lado das receitas, houve incremento relevante em tributos como Imposto de Importação (+R$ 2,3 bilhões), Imposto de Renda (+R$ 2,3 bilhões) e IOF (+R$ 2,8 bilhões), além do aumento na arrecadação do RGPS (+R$ 3,3 bilhões). Ainda assim, a queda em dividendos e participações (-R$ 1,8 bilhão) e, principalmente, a expansão acelerada do gasto público neutralizaram o ganho arrecadatório. O quadro cria tensão adicional sobre a meta do governo, que prevê superávit de 0,25% do PIB em 2026 — cerca de R$ 35 bilhões. Com um déficit expressivo logo em março, a trajetória exigirá contenção de despesas ou novas receitas para evitar frustração do objetivo fiscal. (Fonte: Hora Brasília)
Pressão dos EUA gera colapso cambial, disparada de preços e demissões em massa no Irã

Por Isabella de Paula
A moeda nacional do Irã, o rial, registrou mínima histórica em relação ao dólar nesta quarta-feira (29), em meio às negociações travadas com os EUA para o fim da guerra. Atualmente, um dólar equivale a 1,8 milhão de unidades do rial. Essa pressão interna no país vem gerando novos impactos diretos na população, que já sofria com uma grave situação econômica antes do conflito ter início. O novo cenário é marcado por demissões em massa no setor público e uma inflação galopante de 71% no plano geral e até 100% no setor alimentício.
Segundo avaliação de analistas, essa situação tende apenas a piorar, visto que o Irã é dependente de importações de alimentos, medicamentos e matérias-primas e seus portos permanecem sob o bloqueio americano. Alimentos como leite, pão e arroz são os que mais registraram elevação de preço nas últimas semanas. Além disso, segundo o jornal local Shargh, mais de mil trabalhadores de fábricas têxteis e de calçados em Rasht e Borujerd foram demitidos após o término de seus contratos em março, sinalizando uma fraca demanda da população por esses produtos. (Fonte: Gazeta do Povo)
Moraes reage à pressão e mantém inquérito das fake news com alerta sobre “milícias digitais”

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu enfrentar diretamente as críticas e pedidos de encerramento do inquérito das fake news e afirmou que as investigações continuarão em curso. Em manifestação acompanhada de dados e balanço das ações já realizadas, o magistrado sustentou que a apuração permanece necessária diante da persistência de ataques às instituições.
Segundo Moraes, o avanço da desinformação, especialmente nas redes sociais, consolidou um novo padrão de pressão contra o Judiciário. O ministro classificou a disseminação de conteúdos fraudulentos como um dos principais vetores de tentativa de enfraquecimento da independência judicial, com impacto direto na estabilidade institucional.
O balanço apresentado pelo gabinete também inclui resultados relacionados aos desdobramentos dos atos de 8 de janeiro de 2023, com foco na apuração, julgamento e execução de penas. Moraes destacou que, apesar das ações já realizadas, os mecanismos de ataque continuam ativos e organizados.
Nesse contexto, o ministro reforçou a existência e atuação de estruturas que classificou como “milícias digitais”, responsáveis por manter campanhas coordenadas contra o Supremo e outras instituições. A leitura exposta indica que o inquérito segue como instrumento central para mapear, responsabilizar e conter essas práticas. (Fonte: Hora Brasília)
Governador de esquerda no México é acusado pelos EUA de narcotráfico

Por John Lucas
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou nesta quarta-feira (29) o governador do estado de Sinaloa, no México, Rubén Rocha Moya, do partido de esquerda Morena, o mesmo da presidente Claudia Sheinbaum, de envolvimento com o narcotráfico e solicitou sua extradição. Segundo as autoridades americanas, ele teria atuado em parceria com o Cartel de Sinaloa para facilitar o envio de drogas ao território dos EUA.
A acusação contra o governador integra uma denúncia mais ampla que envolve dez atuais e ex-integrantes do governo e das forças de segurança de Sinaloa, todos suspeitos de colaborar com a organização criminosa Cartel de Sinaloa, classificada como uma organização terrorista pelos EUA no ano passado. Segundo o Departamento de Justiça, os acusados teriam participado de uma rede de corrupção que permitia ao cartel operar com proteção institucional, em troca de apoio político e pagamento de propinas. As investigações apontam que os envolvidos ajudavam a proteger líderes da organização contra prisões, além de repassar informações sensíveis sobre operações policiais e militares.
Conforme a acusação, Rocha Moya teria mantido contato direto com integrantes do grupo conhecido como “Chapitos”, ligado aos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán, e prometido garantir liberdade de atuação ao cartel dentro do estado. Ainda segundo o documento, o político teria se beneficiado do apoio do grupo criminoso durante sua eleição. As autoridades americanas também afirmam que parte dos acusados participou diretamente de ações violentas, incluindo sequestros e assassinatos, para proteger os interesses da organização criminosa. Em alguns casos, policiais teriam sido usados para executar operações ilegais em benefício do cartel, conforme a denúncia.
Em paralelo, de acordo com informações divulgadas pela imprensa americana, o governo dos EUA já formalizou o pedido de prisão e extradição do governador. Rocha Moya nega as acusações e afirmou que elas “não têm fundamento”, classificando o caso como um ataque político. O governo mexicano, por sua vez, questionou a base das acusações. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do México, o pedido de extradição carece de provas suficientes e poderá ser analisado pelas autoridades judiciais do país antes de qualquer decisão. (Fonte: Gazeta do Povo)














