Comportamento & Equilíbrio

Fórum Longevidade debate desafios de um Brasil que envelhece

Evento reuniu mais de 300 speakers e 200 horas de programação sobre trabalho, cidades, saúde, finanças, inovação e políticas públicas

O Brasil está envelhecendo rapidamente, movimento que já transforma a economia, o trabalho, a saúde, as cidades e as relações sociais. Hoje, uma em cada cinco pessoas no país já está na faixa dos 60 anos ou mais. Em São Paulo, esse grupo representa 18% da população. No mundo, são dois bilhões de pessoas com mais de 50 anos, das quais 62 milhões estão no Brasil, equivalentes a 28% da população. Na América Latina, região que envelhece mais rapidamente no mundo, a mudança demográfica também é acompanhada por uma redução da população.
Foi nesse cenário que o 8.º Fórum & Festival Longevidade — Reimaginando Futuros reuniu, entre 24 e 26 de setembro, no Pavilhão Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo (SP), mais de 200 horas de programação e 300 speakers. Com entrada gratuita e livre, o encontro realizado pelo Movimento LABoo, plataforma de mobilização e inovação pela longevidade, abordou os impactos desse processo em seis eixos: Cultura; Educação e Trabalho; Cidades; Cuidado e Bem-estar; Finanças; e Inovação e Economia da Longevidade. A programação incluiu pesquisas, oficinas, experiências, tecnologia, lançamentos literários, cinema, música e encontros entre especialistas, gestores públicos, empresas, organizações sociais, artistas, pesquisadores e lideranças de diferentes territórios.

Estamos transformando esta edição em um fórum focado em debates profundos e um festival abrangente que conecta e fomenta a transformação social, econômica e cultural que queremos e precisamos ver no mundo”, afirma Sérgio Serapião, fundador do Movimento LABoo, diretor-geral e curador-âncora do 8.º Fórum e Festival Longevidade. “Nossa proposta é reunir pessoas, promover conexões entre iniciativas diversas, governo, academia e negócios. A ideia é sermos capazes de gerar soluções coletivas e efetivas para um Brasil cada vez mais longevo”, disse antes da abertura.

A mudança demográfica também chega ao mercado de trabalho. O Brasil já reúne 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, número que cresceu cerca de 60% na última década, enquanto as estruturas de empreendedorismo e carreira continuam prioritariamente voltadas aos jovens. Hoje, cinco gerações convivem em um mesmo ambiente profissional, ampliando a discussão sobre novas trajetórias de trabalho e sobre como preparar empresas para carreiras mais longas.
A representação das pessoas idosas na publicidade foi outro tema. Ainda incipiente, ela aparece muitas vezes associada a estereótipos, como o velho rabugento, a “vozinha do crochê” e a pessoa que fica em casa. O festival também discutiu a realidade de mulheres negras idosas e da população LGBTQIAPN+, para quem a velhice pode ser atravessada pela falta de apoio familiar. Em situações de necessidade de cuidado, algumas dessas pessoas precisam retornar à casa de familiares em condições onde são desrespeitadas nas suas orientações sexuais. O cuidado, aliás, é uma questão que ultrapassa a velhice: seis em cada dez pessoas com mais de 50 anos cuidam ou dizem que vão cuidar de alguém. A discussão esteve relacionada também ao futuro das cidades e à necessidade de pensar espaços capazes de acolher uma vida de 100 anos ou mais.

A longevidade também movimenta um mercado que já representa R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil (Foto: iStock)

Economia prateada
A longevidade também movimenta um mercado que já representa R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil. A chamada economia prateada reúne produtos e serviços destinados a pessoas com mais de 50 anos e inclui hábitos de consumo que vão de compras pelo celular e delivery a streaming e jogos. Segundo os dados apresentados no evento pelo instituto de pesquisa data8, 48% fazem compras pelo celular, 40% pedem delivery, 53% compram coisas para a casa, 54% consomem TV aberta, 51% streaming de vídeo, 30% streaming de música e 24% jogos de celular.
A pesquisa, apresentada por Clea Klouri, identificou seis perfis entre os consumidores 50+: autossuficientes, que não querem depender; sábios, que dão opinião, consomem internet e são estrategistas financeiros; agregadores, para quem os vínculos sociais e o que é bom para a família orientam as decisões; cuidadores, que vivem pelo outro, com predominância de mulheres; exploradores, que mudam completamente de vida e começam a se descobrir em outros papeis; e em pausa, que passaram por um marco, mas ficaram em um limbo emocional e em processo de desaceleração. Nesse cenário, a autonomia, que amplia o desejo de viver, aparece como o maior ativo dos chamados prateados.
Entre os lançamentos literários estiveram “E agora, Envelhecemos”, última obra do empresário do mercado imobiliário Alexandre Frankel, e a versão em português de “Transiliência”, da empreendedora social, autora e pesquisadora italiana Riccarda Zezza. O livro apresenta o conceito de uma capacidade humana: a de transferir habilidades para papéis diversos que venha a desempenhar, sobretudo no ambiente de trabalho, onde muitas vezes são estigmatizados ou escanteados. A pesquisa conduzida por Zezza ouviu 70 mil pessoas e identificou que 15% das soft skills já estão conosco.

Fonte: CicloVivo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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