O doce que teria sido apreciado por gladiadores no Império Romano

Conheça o doce à base de tâmaras que aparece no mais antigo livro de culinária romana ainda preservado, datado entre os séculos 4 e 5 d.C.
Por Giovanna Gomes
O gosto por doces é compartilhado por grande parte da humanidade — e isso vem desde os tempos antigos. No Império Romano, por exemplo, eles faziam sucesso, especialmente com uma receita à base de fruta que, segundo historiadores, pode até ter sido consumida por gladiadores. Conhecida como Dulcia Domestica, a sobremesa combinava tâmaras recheadas com ingredientes doces e aromáticos. A receita aparece em Apicius, considerado o mais antigo livro de culinária romana ainda preservado. Datada entre os séculos 4 e 5 d.C., a obra é tradicionalmente atribuída a Marcus Gavius Apicius, figura lendária conhecida pelos hábitos extravagantes à mesa e pela paixão pela alta gastronomia. É preciso ressaltar, no entanto, que não há evidências suficientes para afirmar que teria sido ele o autor do prato.
Uma receita especial
Embora populares, as tâmaras recheadas não faziam parte da alimentação cotidiana. Na verdade, de acordo com o portal Tastes from the Road, tratava-se de um doce destinado a ocasiões especiais, como banquetes oferecidos por famílias ricas que buscavam exibir fartura e sofisticação culinária. Segundo a fonte, um outro contexto em que a receita se fazia presente era durante a chamada Saturnália, celebração romana que antecedeu algumas tradições do Natal.
Durante o festival, regras sociais eram temporariamente flexibilizadas: escravos podiam se sentar à mesa com seus senhores, trocavam-se presentes e iguarias açucaradas circulavam entre os convidados. Alguns pesquisadores acreditam que receitas como a Dulcia Domestica poderiam ser oferecidas também a gladiadores ou atletas após competições. Ricas em mel, tâmaras e nozes, elas forneciam energia rápida e concentrada, algo valioso para lutadores e participantes de jogos públicos. E vale dizer: em uma sociedade na qual frutas frescas e mel eram produtos valorizados, sobremesas desse tipo eram tidas como luxo.
Mesmo com o fim do Império Romano, o apreço por tâmaras doces e recheadas perdurou, chegando até os dias de hoje. Variantes podem ser encontradas em diversas regiões do Mediterrâneo e do Oriente Médio, e vão desde tâmaras recheadas marroquinas até doces tradicionais árabes preparados com frutas secas e mel.

A receita original
Mas a receita original da Dulcia Domestica também chegou até nós, isto graças à preservação do Apício. Os detalhes sobre o preparo podem ser conferidos especificamente no Livro 7, Capítulo 13 (De Re Coquinaria). O texto em latim é breve e direto: “Dulcia Domestica: dactilos purgatos, nucleos vel nuces excalditas tritas inferes, sale modico insuper perfusos, mel supra mittes, et piper, si volueris”.
A seguir você confere o passo a passo traduzido:
🔹 Pegue tâmaras com caroço e recheie com nozes —seja pinhões ou nozes, que foram levemente torradas e esmagadas.
🔹 Polvilhe as tâmaras recheadas com um pouco de sal.
🔹 Passe mel por cima.
🔹 Adicione um pouco de pimenta, se desejar (opcional).
Bastante simples, a receita não menciona a necessidade de assar ou fritar as tâmaras. Apesar disso, variações modernas da receita envolvem esses processos com a finalidade de realçar a doçura e criar uma textura pegajosa e caramelizada.
Fonte: Aventuras na História




