Sono e exercício podem proteger a mente na meia-idade

Estudo com quase 4.500 pessoas mostra que intensidade do exercício e sono podem pesar na saúde mental aos 46 anos
Por Hemerson Brandão
Trocar 30 minutos de sedentarismo por atividade física moderada a vigorosa pode se associar a menos sintomas de depressão e ansiedade na meia-idade. O estudo, publicado no Depression and Anxiety, acompanhou quase 4.500 pessoas na Finlândia, aos 46 anos, e reforça a mensagem que intensidade e sono contam mais do que apenas “se mexer”.
A pesquisa indica que a atividade física moderada a vigorosa tem relação mais forte com a saúde mental do que a atividade leve. Caminhar sem pressa ajuda, mas entrega benefícios menores. O ponto central está na intensidade. Atividades moderadas a vigorosas deixam a pessoa levemente sem fôlego. Isso inclui esforços acima de uma caminhada tranquila. Ao MedicalXpress, Maisa Niemelä, professora adjunta da Universidade de Oulu, na Finlândia, resumiu a conclusão.
Os achados sugerem que, do ponto de vista da saúde mental, a intensidade da atividade física é essencial, não apenas aumentar o movimento”.
Os pesquisadores analisaram como a rotina de 24 horas se relaciona com sintomas mentais. Sono, tempo sentado, atividade leve e atividade moderada a vigorosa formam um ciclo contínuo. Quando uma parte cresce, outra precisa diminuir. Ao substituir 30 minutos de sedentarismo por atividade moderada a vigorosa, os participantes apresentaram associação com melhores indicadores de saúde mental. Os sintomas depressivos ficaram 9% menores. Os sintomas de ansiedade ficaram cerca de 5% menores.
Niemelä destaca que a mudança não precisa parecer radical. “Não se trata de grandes mudanças no estilo de vida. Mesmo um ajuste diário de 30 minutos pode ter significado”.
Dormir menos também pesa
O sono entrou como peça central da análise. Os participantes dormiam, em média, sete horas e 30 minutos por noite. Dormir de cinco a 30 minutos a menos por noite teve associação com leve aumento dos sintomas. A conclusão é que aumentar o treino não deve cortar o sono. Para quem trabalha muito, cuida da família e tenta encaixar exercício na agenda, isso evita uma armadilha comum.
Clarence Tan, pesquisador de doutorado da Universidade de Oulu, afirma que o melhor cenário combina as duas frentes.
Dormir o suficiente e aumentar a atividade física moderada a vigorosa é uma mudança ideal de estilo de vida para apoiar a saúde mental na meia-idade”.
Como o estudo mediu a rotina
A pesquisa acompanhou quase 4.500 participantes da Northern Finland Birth Cohort 1966. Monitores de atividade registraram movimento e sedentarismo durante duas semanas, quando os participantes tinham 46 anos. Os sintomas de depressão e ansiedade passaram por três questionários de autorrelato amplamente usados. O estudo não prova causa direta, mas mostra uma associação consistente entre rotina diária, sono e saúde mental. Mas uma agenda mais saudável não depende só de “andar mais”. Ela depende de reservar algum esforço real, proteger o sono e reduzir o tempo parado sempre que possível.
Fonte: Giz Brasil





